O Porquê disso tudo...

Um dia ouvi de uma professora que existe um campo verde que representa o conhecimento. Nesse campo existem diversas árvores, cada uma poderíamos chamar de grandes áreas do conhecimento. "Dentro" dessas árvores há galhos e ramos que nos levam a pequenas folhas. Eu me aprofundei em algumas dessas folhas de algumas árvores do conhecimento, por isso quero dividir esses estudos com quem tiver interesse em conhecer alguma "nova" ou "velha" folha. Sem intenção de gerar a priori novos frutos, porém apenas semear, agora sim, ideias e esclarecimentos.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Resumos / Resenhas 2



Os seguintes textos foram resenhados e resumidos para a Disciplina de Teorias (H, C e I) do Doutorado (2013). Normalmente indico a referência bibliográfica no início do texto e logo a seguir apresento a resenha ou o resumo, podendo haver outras indicações de referências ou não. Lembrando que esses pequenos textos, de 1  a 2 páginas, são apenas pequenos fragmentos dos brilhantes escritos dos teóricos aqui indicados, ou seja, nem sempre abrangendo toda a temática e discussão ali inscritos.

Christiane Kalb

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Rial, Carmen. As estratégias do gênero: entrevista com Saksia Sassen. pp. 491-501. 2010.








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Saskia Sassen, cientista social contemporânea, foi uma das conferencistas do X Congresso Internacional Interdisciplinar sobre as Mulheres, realizado em Madri, em julho de 2008. E a partir da entrevista realizada naquela oportunidade, Rial realizou transcrição dessa entrevista que foi publicada dois anos depois na Revista de Estudos Feministas – REF.
Ela é professora na Columbia University e no London School of Economics, integra também o Conselho de Relações Estrangeiras e a prestigiosa Academia Nacional de Ciências, atuando no Comitê de Cidades e o seu trabalho tem como foco a globalização – em suas dimensões sociais, econômicas e políticas –, os processos de imigração, as cidades globais, o terrorismo, as novas tecnologias e as transformações atuais do Estado neoliberal no contexto transnacional.
Os temas que discutem os efeitos da emigração sobre as mulheres, assim como as ambivalências de processos de nacionalização e reivindicações de cidadania, o tráfico de mulheres, as trocas interculturais entre mulheres nas cidades globais, a passagem por fronteiras armadas, o ativismo imóvel foram alguns dos assuntos tratados prioritariamente na entrevista, conforme explanação de Rial.
Sobre o tráfico de mulheres, Sassen fala sobre o tráfico para fins sexuais, onde países que possuem uma economia fraca arrecadam muito dinheiro com esse tipo de tráfico, sendo assim uma forma de arrecadação financeira que detém uma questão mais do que financeira, mas política. “quando falo do tráfico de pessoas, há toda uma série de atores, não sendo somente a exploração pelo traficante” (p.493).
Quanto às cidades globais, a autora explica que é um espaço desnacionalizado, tanto em nível de elite como em nível de pessoas mais pobres. Mas que juntas, essas mulheres podem ter o poder de mudança em suas mãos, como exemplo a autora cita as questões de direitos humanos.
Sassen afirma que a questão de gênero ainda não está suficientemente desenvolvida, pois é um processo contínuo, que está sendo trabalhado e reconhecido por vários países. Contudo, afirma que a internet tem auxiliado a organizar as redes de auxilio a certos grupos de mulheres, como exemplo citou as mulheres muçulmanas.
Quanto ao tema da mobilidade, a autora conclui “Necesitamos desarrollar instrumentos para recuperar y analizar y teorizar estas diferencias dentro de una condición que generalmente se ve como absoluta – la inmovilidad. Ciertas condiciones, por ejemplo para algunas mujeres, apuntan a una inmovilidad subjetiva, aún cuando hay movilidad a nivel de vida diaria. Mujeres que no tienen mucho poder sobre su vida diaria pueden desarrollar inmovilidades subjetivas, cayendo en una situación de falta de poder elemental” (p.501).
  
Durham, Deborah. 2000, Youth and Social Imagination in Africa, in Anthropological Quarterly, 73. 3, pp. 113-120.


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Para se estudar a juventude, Durham explica que precisa-se estar atento a topologia da paisagem social, de modo que se enfoque no modo como a juventude é construída como um problema categórico, ou como as atores se engajam no paradigma social e como ela contribuiria para a geração de debates e construções teóricos.
A juventude, muitas vezes, é vítima de circunstâncias e manipulações de poder por pessoas mais velhas, porém a partir dessa questão, importante entender três pontos: identificar quem e o que são os jovens, relacionar a juventude com outras gerações e, por último, entender que tipo de políticas a juventude pode participar e fazer a diferença.
Por ser uma construção de categoria histórica-social, a juventude é tão sensível a transformações econômicas, assim como suas atividades, prospecções e ambições são deslocadas e redirecionadas. E por esse motivo, que a juventude está no centro da dinâmica social da África, afinal 43% de sua população tinha menos de 15 anos, em 1998. E essa aparência de modernidade, em razão da idade de sua população, modifica e afeta a forma como as pessoas se veem e se percebem entre si dentro da sociedade.
Alguns autores ainda conceituam o que seria a juventude, a puberdade, assim como a adolescência, mas a realidade é que “o local natural, as definições e as experiências vividas na juventude existem em qualquer lugar e em todos os tempos, com diferentes grupos de gênero, classe e/ou ocupações”.
A autora ainda conecta as questões de agência (atividade/operação) com moralidade, já que os adultos que possuem algum poder veem os jovens como tolos até mesmo para votar, ainda que tenham idade para tanto e também inábeis para resolver seus próprios problemas, porém após a 1ª Grande Guerra, houve certa reinvenção do espaço político e social. A juventude tem entrado na seara política, embora ditos sabotadores/terroristas, como atores políticos cuja política é abrir discursos sobre a natureza da sociedade em seus termos mais amplos e mais específicos.

  
FLORES, Maria Bernardete Ramos Flores. Ao Brasil dos meus sonhos: feminismo e modernismo na utopia de Adalzira Bittencourt. Revista Estudos Feministas, vol. 10, núm. 1, jan., 2002, pp. 11-37. Disponível em www.scielo.br.










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Aldazira Bittencourt foi escritora, professora e ativista social da área da Infância.

Maria Bernadete Ramos faz uma análise dos pontos políticos e culturais que a autora pensava sobre o Brasil, principalmente no que se refere às questões de gênero, etnia, religião.
A obra de Aldazira descreve um imaginário entre anos 20 e 30 do século XX sob o olhar da cultura política, assim, de acordo com Flores, a autora manifesta o “projeto paradigma moderno, dos anos 1920 e 1930, sob a atuação técnico-científica da medicina (normatizando o corpo), da educação (conformando as mentalidades) e da engenharia (organizando o espaço)”
A autora também acredita no poder que a ciência e a educação tem de mudar a sociedade, de modo que descreve-se como participante da onda feminista e como escritora, da onda modernista (ou modernismo), onde delineia “no seu nacionalismo verde-amarelismo, a modernidade incorpora o interior e a tradição, uma modernidade que lida em duas direções: a utópica, voltada para as transformações e a mítica, para a perpetuação do status quo”.
Ainda sobre o movimento feminista, a autora destaca algumas das atividades ditas como “próprias” para mulheres, como o papel de professora, porém tenta romper com o pensamento tradicional de dona de casa como única atividade feminina, destacando também as atividades políticas e de luta social.
Flores destaca “Para além do sufragismo, portanto, essas organizações feministas tinham por objetivo promover a educação da mulher e elevar o nível de instrução feminina, proteger as mães e a infância, obter garantias legislativas e práticas para o trabalho feminino, auxiliar as boas iniciativas da mulher e orientá-la na escolha de uma profissão, estimular o espírito de sociabilidade e cooperação entre as mulheres e interessá-las pelas questões sociais e de alcance público, assegurar à mulher direitos políticos e prepará-la para o exercício inteligente desses direitos”.
Após a discussão do trabalho da mulher perante a sociedade, Flores compara a obra de Aldazira com o livro: O presidente negro ou o choque de raças: romance americano do ano 2228, publicado em 1926 por Monteiro Lobato. Nesse livro, os negros são mortos por uma fórmula química esterilizante, enquanto que naquele Aldazira também faz os negros desaparecerem, fazendo-os voltar à África.
Assim, tanto “Aldazira Bittencourt [como] Monteiro Lobato, navegam no imaginário do Brasil moderno. […] Ambos enveredaram pelo nacionalismo retumbante das décadas de 1920 e 1930, pelo caminho do progresso através da eugenia, do higienismo e do sanitarismo”.

PELBART, Peter Pál. Vida Capital. São Paulo: Iluminuras, 2009, pp. 55-89.





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Peter Pál Perbart é um filósofo, ensaísta, professor e tradutor húngaro, residente no Brasil.
Em seu texto “Vida Capital”, o autor traz a ideia de um novo poder na vida humana, a partir do século XVIII, principalmente nas sociedades ocidentais,  o biopoder. O Estado, e não mais o soberano, substitui o  “fazer morrer e deixar viver” por  “fazer viver e deixar morrer”, parafraseando Foucault, que ainda diz que a vida e a norte não são consideradas como fenômenos naturais, pois depois da morte o indivíduo escapa de qualquer poder.
Pelbart também recupera os conceitos gregos de bíos e zoé, vida politicamente qualificada e vida nua, respectivamente, nas quais fazem referência no pensar a genealogia do paradigma político do ocidente (não somente moderno, como concepção biológica da vida).
Agamben, citado por Pelbart, assume como figura central no paradigma biopolítico o Estado de Exceção, principalmente o totalitarismo nazista, como o primeiro Estado radicalmente biopolítico, já que os “nazistas tratava-se de assumir politicamente sua hereditariedade biológica”.
Pelbart esclarece que o poder sobre a vida a partir de um dilema contemporâneo em torno do conceito de biopolítica ressignifica tal termo, o tornando um poder da vida. Assim, conceituando a biopolítica como poder da vida, o autor propõe que o capitalismo rizomático propicia uma nova dinâmica social.
Com base no que diz Lazzarato, a vida se espalha e se hibridiza nas relações sociais baseadas na economia da informação, então a “vida se moleculariza e se totaliza” e “Sim, é a subsunção da economia, a cultura, também do bios social a um poder que assim engloba todos os elementos da vida social, mas é um domínio que produz algo muito paradoxal, e nada linear, dizem os autores [Hardt e Negri], pois ao invés de unificar tudo cria um meio de pluralidade e de singularização não domesticáveis. Daí a inversão não só semântica, mas também cultural e política, proposta por um grupo de teóricos, majoritariamente italianos, e entre eles o próprio Negri. Com ele, o termo biopolítica deixa de ser prioritariamente a perspectiva do poder e de sua racionalidade refletida tendo por objeto passivo o corpo da população e suas condições de reprodução, sua vida.”
Quanto às possibilidades de resistência atualmente, o autor explica que o poder tem que ser entendido dentro da capacidade da multidão. Multidão no sentido de uma auto-organização biopolítica, uma coletividade humana em ação.


 
Hall, Stuart. Quem precisa da identidade? pp. 103-133.






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Stuart Hall é um teórico cultural jamaicano que trabalha no Reino Unido, com estudos na área da cultura e dos meios de comunicação, assim como para o debate político.  Seu artigo tenta identificar, entender e discutir os conflitos sociais na contemporaneidade, fazendo um levantamento das questões identitárias do tempo presente-imediato, havendo conforme o autor, um paradoxo fenomenológico entorno do conceito de identidade.
Sobre isso, “O conceito de identidade aqui desenvolvido não é, portanto, um conceito essencialista, mas um conceito estratégico e posicional. Isto é, de forma diretamente contrária àquilo que parece ser sua carreira semântica oficial, essa concepção de identidade não assinala aquele núcleo estável do eu que passa, do início ao fim, sem qualquer mudança, por todas as vicissitudes da história. Esta concepção não tem como referência aquele segmento do eu que permanece, sempre e já, “o mesmo”, idêntico a si mesmo ao longo do tempo. Ela tão pouco se refere, se pensarmos agora na questão da identidade cultural, àquele “eu coletivo ou verdadeiro que se esconde dentro de muitos outros eus – mais superficiais ou mais artificialmente impostos – que um povo, com uma história e uma ancestralidade partilhadas, mantém em comum”. (grifei)
O autor ainda confirma que “Têm a ver não tanto com as questões “quem nós somos” ou “de onde viemos”, mas muito mais com as questões “quem nós podemos nos tornar” e “como essa representação afeta a forma como nós podemos representar a nós próprios”. […]  “É precisamente porque as identidades são construídas dentro e não fora do discurso que nós precisamos compreendê-las como produzidas em locais históricos e institucionais específicos, no interior de formações e práticas discursivas específicas, por estratégias e iniciativas específicas. Além disso, elas emergem no interior do jogo de modalidades específicas de poder e são, assim, mais o produto da marcação da diferença e da exclusão do que o signo de uma unidade idêntica, naturalmente construída, de uma “identidade” em seu significado tradicional – isto é, uma mesmidade que tudo inclui, uma identidade sem costuras, inteiriça, sem diferenciação interna.” (grifei)
A figura do Outro aparece nas interpelações de Hall “é apenas por meio da relação com o Outro, da relação com aquilo que não é, com precisamente aquilo que falta, com aquilo que tem sido chamado de seu exterior constitutivo, que o significado “positivo” de qualquer termo – e, assim, sua “identidade” – pode ser construída (Derrida, 1981; Laclau, 1990; Butler, 1993)”.  Portanto, Hall afirma que a identidade é construída por meio da diferença e não fora dela, e toda identidade, “eu/nós”, só se estabelece em relação com um Outro, o exterior constitutivo, com aquilo que lhe falta, “ele/eles”. Assim, a unidade da identidade é constituída no interior dessa relação de exclusão, mas o mesmo jogo de poder se vê desestabilizado por aquilo que ele deixa de fora. Para o autor, a identidade se baseia nesse ato de exclusão, que cria uma violenta hierarquização entre os pólos resultantes[1][1].



  

FOUCAULT, Michel. As técnicas de si. Traduzido a partir de FOUCAULT, Michel. Dits et Écrits. Paris: Gallimard, 1994, Vol. IV, pp. 783-813, por Wanderson Flor do Nascimento e Karla Neves. Disponível na web:






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Michel Foucault foi filósofo e professor francês. Chamado e Escritos (Dits et Écrits) é uma coleção póstuma de entrevistas, palestras e artigos do filósofo Michel Foucault. O livro foi publicado pela primeira vez em quatro volumes, em 1994 e, em dois volumes, em 2001, em uma nova edição, que substituiu o primeiro.

A expressão “cuidado de si” recomenda uma série de experiências e técnicas que auxiliam o indivíduo a transformar-se em si mesmo. Algumas das formas de se chegar a “si mesmo” é por meio das técnicas de si, como apresentadas por Foucault.

Essas técnicas são definidas pelo sujeito a partir donde vive e das relações pessoais que possui. Sempre relacionados com os esquemas que lhe são propostos, às vezes, impostos, ou então sugeridos, no decorrer da vida social.

E a partir da construção de algumas “técnicas de si” é possível a formação das sociedades. “Os princípios morais da sociedade ocidental passaram por uma profunda transformação”.

Foucault relembra algumas diferenças nas técnicas associadas ao cuidado de si em distantes tempos históricos: na Grécia e na Contemporaneidade. O autor observa que o indivíduo contemporâneo é constituído de inseguranças: medo da morte, tortura e martírio, totalmente diverso da constituição dos gregos.


Geertz, C. 1973 (1988) Person, time and conduct in Bali: na essay in cultural analysis. In: Interpretation of culture.




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Geertz analisa em seu ensaio a natureza social do pensamento, usando como exemplo uma ilha da Indonésia, Bali, onde a maneira pela qual o povo de lá se percebe e percebe aos outros possui características bastante peculiares de outras “civilizações” ocidentais.
Vale ressaltar que o estudo científico da cultura, muito descritivo normalmente, tem dificuldades maiores que o estudo das relações econômicas, políticas e sociais de uma sociedade, já que sua própria matéria é ilusória.
A forma como nos percebemos é discutida por Geertz a partir da caracterização dos seres de maneira individualizada. Afinal, todos os lugares tem estruturas simbólicas nas quais as pessoas são percebidas, sem rodeios, como exemplo, “fileiras nobres, status de faixa etária, categorias ocupacionais”. Contudo, o autor traz a baila alguns padrões associados à cultura balinesa, embora também aplicável à cultura ocidental, que seriam os “semelhantes” entre si em: “antecessores”, “contemporâneos”, “consociates” e “sucessores”, padrões estes relacionados à identidade pessoal, à ordem temporal e estilos comportamentais das pessoas.
Para esclarecer esses padrões utilizarei os exemplos trazidos pelo autor. Consociates são os amantes, enquanto o amor durar, ou os cônjuges até se separarem – pessoas que se encontram. Contemporâneos “são pessoas que partilham uma parcela de tempo, mas não de espaço”, por exemplo, um amigo ausente, que não tenho mais notícias. Antecessores e Sucessores não compartilham tempo, pois são de gerações diferentes, apesar de terem suas vidas influenciadas um pelos outros.
Em Bali, especificamente, existem ainda seis tipos de etiquetas, rótulos que uma pessoa pode aplicar a outra. O nome pessoal relacionado ao simples fato de descrever a pessoa, sem conexões familiares. O nome por ordem de nascimento. O termo de parentesco, definindo indivíduos em uma taxonomia. O Teknonyms, onde não é o ato de casar que identifica a pessoa, mas o poder de procriação, “um casal com dez filhos não é mais honrado do que um casal com cinco […] o que conta é a continuidade reprodutiva, a preservação da capacidade da comunidade para perpetuar-se”. Os títulos de status, ou também conhecido por castas, sendo um sistema de prestígio, onde “não é moral, nem econômico nem político, mas religioso”. E por fim, os títulos públicos, dados aos chefes, governantes, sacerdotes e deuses.
Geertz ainda analisa os calendários balineses, o lunar-solar e o permutacional. “Na prática, o calendário lunar-solar é usado da mesma maneira para os mesmos tipos de coisas que para o permutacional. O fato é que ele é vagamente ancorado em contextos agrícolas e alguns templos tem ligação simbólica com a agricultura ou com a fertilidade”.
Assim, a interação das estruturas simbólicas que definem as pessoas juntamente com as estruturas simbólicas de tempo, em Bali, influenciam em seu comportamento interpessoal, de modo que “o conceito de integração cultural que Weber chamou de Sinnzusammenhang pode ser legitimamente aplicada”, já que essas estruturas formam uma espécie de polvo, cujos tentáculos conectam e interconectam nossas relações pessoais.


 
AUGÈ, Marc. Los no lugares espacios del anonimato. pp.81-118.





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Marc Augé é Presidente da École des Hautes Études em Sciences Sociales  (EHESS) e coordena os estudos na área de lógica simbólica e ideologia. O autor define os “não-lugares” como sendo espaços de passagem.
Alguns dos exemplos trazidos pelo autor seriam: o espaço aéreo, espaço publicitário, e salas de espetáculo ou de encontro. E explica que “o espaço do viajante seria, assim, um arquétipo de um não-lugar” (p.91).
Esses locais são incapazes de formar qualquer identidade, pois são relacionados a determinados fins, como o transporte, o comércio ou o ócio e a relação que esses locais se vinculam às pessoas. Outros exemplos dados por Augé são as autopistas, ou estações de serviços, rotas departamentalizadas (autoestradas) e os transportes ferroviários.
No que se refere ao comércio – espaços mundiais de consumo - cita o caso dos supermercados. Onde o consumidor circula silenciosamente, consulta etiquetas, pesa os legumes ou a fruta numa máquina que lhe indica, juntamente com o peso, o preço, depois paga tudo com cartão de crédito de forma também silenciosa ou que fala pouco.
“Outra característica destacada pelo autor dos não-lugares é que estes são permeados de pessoas em trânsito. São espaços de ninguém, não geradores de identidade. Lá, você ou eu, não importa, somos apenas mais um” (Não-Lugares – Marc Augé. João Luis Binde. Resenha - Revista Antropos – Volume 2, Ano 1, Maio de 2008). Ou seja, vamos ao supermercado ou viajar de avião e estamos sempre sozinhos, sem termos ideia dessa situação, pois cumprimos diversos atos de forma mecânica com várias pessoas ao nosso redor, porém sem qualquer interação afetiva, assim, apesar de estar em contato com os outros, estamos, na realidade, sozinhos.
E conclui, “na realidade concreta do mundo de hoje, os lugares e os espaços, os lugares e os não lugares se entrelaçam, se interpenetram” (p.110). Buscando fundamentar sua tese, analisa a capacidade da antropologia compreender a sociedade atual, chamado por alguns autores de pós-modernidade, contudo por Augé denominada de supermodernidade (sobremodernidad). Esse conceito caracteriza-se pelos excessos: excesso de tempo, espaço e da figura individual.

 
MAUSS, Marcel. 1938. Une catégorie de l´esprit humain: La notion de personne celle de “moi”. Journal of the Royal Anthropological Institute, v. LXVIII, Londres, 2002.





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Mauss detalha uma das categorias da mente humana, ou seja, a ideia de “pessoa”, a ideia de “eu”. Inicialmente trata o conceito de pessoa / indivíduo por meio de conceituações de clãs, fraternidades, a própria família.
Levanta alguns pontos sobre essas conceituações, a partir do noroeste americano, da Austrália, Índia, China, que o nome do indivíduo muda em razão de sua nobreza, ou idade ou ainda dependendo da função que desempenha ou seu modo de vida. “A vida e a alma das coisas é fornecida pela perpetuidade dos nomes dos indivíduos, das pessoas”.
Para o autor, a pessoa é um fato de organização, sendo mais que um nome ou um direito de um personagem ou uma máscara ritual, é um direito fundamental. Porém, Mauss afirma que o nosso conceito de ser humano ainda é basicamente um conceito cristão.
Finaliza o autor dizendo que “a partir de uma simples máscara, do caráter de uma pessoa, um nome, um indivíduo, de sua consciência metafísica e moral o curso é concluído a partir da forma fundamental de pensamento e ação”. Embora as disciplinas da antropologia social, sociologia e história tentam nos ensinar o que é a pessoa e o eu, necessário estarmos conscientes de nós mesmos, para cada vez mais, nos aperfeiçoarmos e irmos perdendo as máscaras da ilusão, mostrando então a única faceta verdadeira de nosso ser.


PINTO, Céli Regina Jardim. Quem tem direito ao "uso do véu"? (uma contribuição para pensar a questão brasileira) Disponível em:
  







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Céli Pinto é Doutora em Ciência Política, pela Universidade de Essex –Inglaterra e escreveu interessante artigo que discute a incluso de grupos marginalizados cultural e/ou economicamente.
A autora faz um comparativo entre o caso francés de uso ou proibição do uso do véu pelas estudantes muçulmanas com as ações afirmativas de cotas de universidades a negros brasileiros.
Apresenta tal tema como um debate feminista, que busca analisar a inclusão, “como um certo tipo de ordem privada [que] pode significar a exclusão na ordem pública” (p.380). Traz o exemplo da inclusão gay, a partir das últimas décadas e finalmente trata da questão brasileira, sobre “ação afirmativa que envolvem políticas de reconhecimento”, de cotas nas universidades públicas para estudantes negros e egressos de escolas públicas. A autora afirma que “os alunos das escolas públicas brasileiras foram tratados até então como vítimas e não como sujeitos” (p. 382). Discute a questão sob a perspectiva do “nós x eles”, onde é difícil que se reconheça o direito “deles”.
E conclui “pensar o universal a partir da diversidade tem profundas implicações políticas e práticas, mormente, se a igualdade for tomada como um a priori na democracia. Pensar o outro como igual exatamente por suas diferenças, implica um realocamento de posições de poder com consequências profundas”. E a partir do conceito de reconhecimento por parte do Estado e da sociedade, que a autora desponta sua temática sobre o direito ao uso do véu, ou então, melhor explicado, o direito de escolher usar ou não o véu, pelas estudantes francesas. Quando completa “se estas mulheres, ou porque não querem ou porque não tem liberdade, passam a não frequentar a escola porque não lhe é permitido não usar o véu, qual é o serviço que o estado francês está fazendo a favor a libertação destas mulheres?”
Assim, o direito ao uso do véu, isto é, o direito à diferença no espaço público é a conclusão do artigo de Pinto, onde faz uma analogia a quem tem direito de usar o véu no Brasil, metaforizando a questão das cotas das universidades com a discussão das universitárias muçulmanas na França. E conclui “o caso francés não é de ação afirmativa como tende a ser o caso brasileiro, mas em ambas as situações o reconhecimento da diferença parece ser fundamental para criar condições positivas de integração dos grupos em questão em um pacto cidadão que garanta igualdade de direitos”.


ANDERSON, Perry. Primórdios. In:_____. As origens da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999, p. 09-22. Disponível em http/books.google.com.br.
GIDDENS, Anthony. Introdução. In: _____As consequências da modernidade. SP, Ed. UNESP, 1991. p. 11-60.
SANTOS, L. G. Politizar as novas tecnologias: o impacto sócio-técnico da informação digital e genética. Editora 34. São Paulo, 2003. p. 109-182 
FÉHER, Ferenc. La condición de la postmodernidad. In: HELLER, Ágnes e FÉHER, Ferenc. Políticas de la postmodernidad. Ensayos de crítica cultural.  Barcelona, Ediciones Península, 1989, p. 09-23.



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Perry Anderson, historiador londrino marxista, nascido em 1938, em seu subcapítulo Primórdios, da obra As origens da pós-modernidade, traz o fenômeno da pós modernidade como um evento que não nasceu no “centro” do sistema cultural, ou seja, nem na Europa, nem nos Estados Unidos. Mas descreve a ideia como nascida no mundo hispânico, na década de 30, lembrando que o movimento estético - modernismo – adveio de um poeta nicaraguense.
Somente a partir da década de 40 que o termo surgiu num contexto anglófono, como uma categoria de época e, não, da estética. E o autor esclarece que duas evoluções ocorrem nesse período: “a ascensão de uma classe operária industrial no Ocidente e o convite de sucessivas intelligentsias fora do Ocidente a dominar os segredos da modernidade e volta-los contra o mundo ocidental” (p. 11).
Outro autor, citado por Anderson, Charles Olson - poeta norte-americano, que cunhou os termos pós-modernismo e verso projetivo, descreve o período da pós-modernidade sendo posterior à era imperial dos Descobrimentos e da Revolução Industrial, a partir da primeira metade do século XX. Ele era “crítico feroz do humanismo racionalista”, conforme Anderson (p.12).
A partir da década de 50, outros autores (Mills e Howe, Toynbee, Levis) assumiram o termo, para “descrever uma literatura derivada que havia renunciado aos rígidos padrões intelectuais do modernismo em prol de uma relaxada meia síntese” (p.19). São autores que se utilizaram da ideia pós-moderna após a 2ª Guerra Mundial, voltada aos jovens excluídos da América, onde a “sociedade podia pela primeira vez tornar-se uma democracia ‘senhora de si mesma’” (p. 20).

Anthony Giddens, sociólogo britânico, conhecido por sua Teoria da Estruturação - teórico pioneiro da Terceira via da sociologia, em sua obra As consequências da modernidade, especificamente no capítulo de Introdução, trata da modernidade e das suas consequências como um acontecimento que transformou não somente mudanças filosóficas e epistemológicas, mas também as instituições em uma determinada época e local – Europa ocidental, século XVII – que até o final do século XX alcançou praticamente todo o planeta.
Vários termos são e foram utilizados para conceituar essa transição: sociedade da informação, sociedade de consumo, pós-modernidade, pós-modernismo, sociedade pós-industrial. E Lyotard foi o primeiro a popularizar o termo, que define a pluralidade de reivindicações heterogêneas de conhecimento, onde a ciência não tem um lugar privilegiado.
Giddens esclarece que ao invés de um novo modernismo/nova modernidade estamos num período em que as consequências da modernidade se tornam mais radicalizadas e universalizadas do que antes. E a partir disso, o autor compõe seu capítulo introdutório em 8 (oito) fases.
A primeira fase elucida a descontinuidade das instituições da modernidade. A história é tomada como exemplo, pois sempre é contada, a partir da perspectiva evolucionista como um enredo. Porém não é assim que ocorre, já que vivemos num ritmo de mudança ininterrupta, principalmente no que se refere hoje à tecnologia. Além da história, outras instituições como o próprio Estado, hoje é visto como uma Nação; e as cidades, hoje bem delineadas e delimitadas, conceitos totalmente deturpados do que se via no passado sobre os mesmos termos.
Quanto aos aspectos de Segurança x Perigo e Confiança x Risco, o autor mostra como “o lado da oportunidade da modernidade foi fortemente enfatizada pelos fundadores clássicos da sociologia”, Marx, Durkheim e Weber, cada um com suas peculiaridades em contraponto com as preocupações ecológicas e ambientais, que não tinham tanto espaço quanto às inovações industriais e tecnológicas voltadas à industrialização da guerra.
Apesar dos fundadores não terem vivido o período da 2ª Guerra Mundial, o totalitarismo combinou poder político, militar e ideológico no pós guerra para engendrar o armamento nuclear. O século XX é chamado por Giddens (p. 19) como o século da guerra.
 Sobre a sociologia e a modernidade o autor descreve 3 (três) concepções defendidas. A primeira defende o diagnóstico institucional da modernidade, que se refere ao sistema do capitalismo: investimento – lucro – investimento e à exploração industrial e da natureza em si; a segunda atribui-se ao conceito de sociedade, como estudo das sociedade humanas das sociedades modernas, que o autor questiona tal conceito e as questões de fronteira, relacionadas ao tempo e ao espaço e por fim, a terceira tese se refere ao conhecimento sociológico, que se define pela vida social, pelos conceitos que definem o que é conhecimento e o que é a modernidade.
Os aspectos da conexão entre a modernidade e a transformação do tempo e do espaço traçam primeiramente alguns pontos que transformaram as sociedades pré-modernas, são o calendário e o relógio mecânico. Giddens aduz que “a coordenação através do tempo é a base do controle do espaço”, já que espaço e tempo se coincidem nas sociedades pré-modernas, porém nas sociedades modernas isso não ocorre, havendo o surgimento da relação entre os ausentes, em seus espaços vazios. Portanto, a separação entre o espaço e o tempo são tão cruciais para o dinamismo da modernidade.
Sobre o desencaixe dos sistemas sociais, o autor mostra que ocorre mudanças em instituições sociais modernas, que seriam a criação das fichas simbólicas e o estabelecimento de sistemas peritos que se dependem de confiança ademais explicitada para sob existir. As fichas simbólicas seriam os meios de intercâmbio que circulam, diferentes do poder e da linguagem, o melhor exemplo trazido pelo autor seria o dinheiro, pois “é obviamente uma parte inerente da vida social moderna bem como um tipo específico de ficha simbólica” (p. 33). Enquanto os sistemas peritos são os sistemas de excelência técnica ou de competência profissional, nas quais são consultados por leigos.
Assim, a confiança está relacionada ao risco x crença em que acredito. O autor exemplifica esse contexto, dizendo que dirigimos cotidianamente um veículo pois confiamos no sistema do automóvel, assim como, na empresa que nos vendeu tal bem. Desse modo, numa situação de crença, a pessoa reage ao desapontamento culpando os outros, na circunstância de confiança ela assumi a responsabilidade e se arrepende de ter confiado em alguém ou em algo.
Embora o perigo exista na circunstância de risco, o risco substitui a fortuna, porque muda a percepção das pessoas na modernidade, assim, a ideia de acaso surge no mesmo tempo do de risco.
A reflexividade da modernidade é tratada pelo autor como a característica que defini a ação humana. As tradições são modos de se monitorar a ação de uma comunidade, bem como, a escrita e o saber-escrever determinam a capacidade humana de ter certo poder em suas mãos. Portanto, as “práticas sociais são examinadas e reformadas em razão das informações que alteram o seu caráter” (p. 45).
Assim, a ciência deixa de ser a certeza das coisas e os dados ditos oficiais são tidos como forma de poder manipulador do Estado. De modo que a premissa de que, quanto mais conhecimento sobre a vida social mais controle terei sobre nosso destino, deixa de ser verdadeira e passa a ser questionada por Giddens, em razão das disputas de poder, valores e consequências inesperadas que a modernidade vem gerando.
A última temática da Introdução, intitulada de Modernidade e Pós Modernidade?, vincula a reflexividade sobre a pós modernidade. O movimento conceituado de pós-modernismo se atrela a estilos literários, artísticos e de arquitetura, conhecidos pelos autores da área, como o fim da história. O fim da história, pois do uso do passado entendíamos a orientação para o futuro. Enquanto que a pós-modernidade atrela-se a trajetória de desenvolvimento da sociedade mudou o rumo de certas instituições da modernidade a um novo e diferente tipo de ordem social.
Como ponto de partida, Giddens lembra do niilismo de Nietzsche e Heidegger, onde há a ruptura, a superação da modernidade. Contudo questiona tal termo como sendo uma forma de dar coerência a história e de nos situarmos em nosso lugar, ou seja, a modernidade tentando entender a si mesma. Assim, “a modernidade não é perturbadora apenas devido à circularidade da razão, mas porque a natureza desta circularidade é decisivamente intrigante” (p. 55). Essa consciência de urgência em nos entender gera uma ansiedade social, já que não nos deslocamos da modernidade, Giddens então entende que, estamos vivendo através de uma fase de radicalização, a partir do declínio europeu e da globalização.

Ambos os textos que se referem ao termo - pós modernidade - os colocam em uma visão contrária dos autores que entendem que estamos em uma nova era. Tanto Anderson como Giddens entendem que a pós modernidade não se trata de um movimento das instituições sociais para um novo rumo, mas sim, que estamos sofrendo as consequências da modernidade.
Até mesmo porque o primeiro autor, Anderson trata do assunto como uma questão muito mais estética do que social. Já Giddens, apesar de não se referir ao termo como um acontecimento pontual e estética relaciona diversos temas implicados a partir da modernidade, como as alterações institucionais.
  

RIBEIRO, Gustavo Lins. A globalização popular e o sistema mundial não hegemônico. 2010.






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Gustavo Ribeiro é mestre em Antropologia pela Universidade de Brasília (1980) e doutor pela City University of New York (1988), hoje é professor titular do Departamento de Antropologia e professor do Centro de Pesquisas sobre as Américas da Universidade de Brasília.
Em seu artigo publicado em 2010 escreve sobre a globalização econômica dita “popular”, que se refere às redes de pirataria, de eletrônicos, roupas, bolsas, tênis, brinquedos e demais bugigangas vendidos em camelôs e mercados populares.
A globalização popular que trata o autor, se refere à uma economia não hegemônica, sendo que o autor não denomina de anti-hegemônica, vez que essa rede não tem intenção de destruir o modelo capitalista hoje imposto, que seria o hegemônico. Essa economia é vista por muitos como ilegal, já que normalmente está interligada ao contrabando. E esse comércio que movimenta centenas de bilhões de dólares por ano, representa uma ameaça à sociedade capitalista contemporânea.
O autor ainda analisa a obra de Moises Naim, como sendo um lugar marcado pelo americanocentrismo imperial, “como se essa fosse a ordem natural das coisas”, quando descreve os espaços de globalização popular como sendo todos iguais, “sacoleiros” aos membros de cartéis de drogas, todos oriundos de “buracos negros” da sociedade ilícita/ilegal.
A partir da página 25, Ribeiro faz a distinção entre a economia informal e ilícita e entre o que ilegal e ilícito, definições que para ele são cruciais para se entender o sistema mundial não hegemônico. Um dos exemplos trazidos pelo autor é a folha de coca, na Bolívia, que lá é livremente comercializada e consumida, enquanto que fora dali a sua produção é ilegal e passa a ser suspeita de consumo de cocaína. Assim, alguns produtos e serviços são considerados ilegais ou legais dependendo donde são produzidos e comercializados.
Especificamente sobre a pirataria, o autor diz que “sempre foi um problema para os poderes estabelecidos”. Afinal, as redes que se formam conectam unidades no mundo por meio de fluxos de informação, pessoas, mercadorias e capital. E essas redes se auto-organizam em dois tipos de processo de globalização: a economia ilegal global e a economia (i)lícita global, onde a primeira envolve as atividades de crime organizado e a segunda envolve atividades da globalização popular que são consideradas ilegais pelo Estado e lícitas pela sociedade.
Sobre ao segundo tipo de processo de globalização, Ribeiro discorre sobre a diáspora chinesa em mercados populares, como de São Paulo, Belo Horizonte, Cidade do México e outros, trazendo algumas informações sobre a dicotomia entre os produtos originais x cópias, pois “a pirataria significa uma ameaça a um dos núcleos duros da reprodução do capitalismo, qual seja, a detenção de direitos de propriedade sobre determinadas mercadorias, uma vez que tais direito permitem, justamente, a manutenção dos nichos”.
O problema ou interessante da pirataria é revelar o valor excedente absurdo que é agregado à mercadoria original pela propriedade de certas superlogomarcas, e mostrar ao consumidor o quanto poderia estar pagando, quando adquire um produto-cópia.

SILVA, Telma. “Corpos em Perigo: Uma Análise sobre Percepção de Risco em Casos de Desastre Radioativo”. Trabalho apresentado no XXII Encontro Anual da ANPOCS (GT – Pessoa, Corpo e Saúde), Caxambu – 27 a 31 de Outubro de 1998. (Não publicado).



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Telma Camargo da Silva escreve sobre as consequências do desastre radiológico de Goiânia, ocorrido em 1987, partindo do pressuposto de que a noção de risco é uma construção sócio-cultural.
A autora utiliza dos conceitos e categorias de Beck e Giddens (sociedade de risco e sistemas leigos e peritos), de Douglas e Wildavsky (teoria cultural do risco), onde o “poder social seleciona os perigos com os quais o público deve se preocupar”.
A partir desses teóricos, a autora analisa depoimentos e entrevistas, de profissionais que participaram do pós-desastre, bem como, do acompanhamento das descontaminações nas residências que poderiam estar contaminadas.
 A partir desses depoimentos percebe-se que os peritos não abrangem todas as especificidades e problemáticas levantadas durante o pós desastre. Acontecimentos relacionados à quebra de intimidade das pessoas, assim como, questões que computadores não podem solucionar, provam para a autora que “o conhecimento especializado do sistema perito não é suficiente para fazer face plenamente à situação de risco”.  



[1][1] Disponível em: <http://ensaiosdegenero.wordpress.com/2012/08/10/identidade-e-diferenca-uma-breve-introducao/> Acesso em: 14 nov 2013.

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