Christiane Kalb
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LEVIN,
J. Por que o Pesquisador usa Estatística. In: Estatística aplicada
a Ciências Humanas. 12p.
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O autor
apresenta as funções positivas e às vezes negativa que a estatística pode
trazer às nossas pesquisas.
Explana
sobre como devemos levantar hipóteses e necessariamente as devemos questionar
e investigar se serão confirmadas no decorrer da pesquisa ou não. Apenas o
confirmação ou o seu refutamento dos dados poderá dar força às pesquisas na
área das ciências humanas e sociais.
Para o autor
na fase da mensuração, onde se aplica números na análise de dados, o
pesquisador deve entender as funções que essa fase proporciona, ou seja,
categorizar a pesquisa de forma nominal; para atribuir postos denominados
ordinal e; para avaliar o nível de mensuração denominado intervalar.
A fase nominal
seria o ato de rotular os sujeitos da pesquisa e contar quantas vezes eles
aparecem em determinado aspecto, numa determinada categoria, um exemplo seria
o sexo. Na segundo fase, a ordinal seria quando o pesquisador ordena seus
sujeitos em função do grau que apresentam uma característica, um exemplo
seria a classe econômica. Na terceira e última fase, o nível intervalar seria
orientar-nos por ordens de categoria, indicando as distâncias entre as
mesmas. Por exemplo entre metros e centímetros.
Utilizando-se
dessas fases de mensuração da pesquisa, o pesquisador estará quantificando
seus dados, empregando a estatística como forma descritiva ou decisiva. A
Estatística é um “conjunto de técnicas para a redução de dados quantitativos
a um número menor de termos descritivos que sejam mais convenientes, e
facilmente comunicáveis”.
O autor
conclui ainda que devemos ter cuidado com generalizações, ainda que com base
em dados estatísticos, pois podem nos gerar conclusões essencializadas e que
não poderão ser provadas contundentemente, já que podem ser consideradas como
amostra ao acaso.
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BARDIN, L. Análise de Conteúdo –
Método. Lisboa, Edições 70, 2009.
Laurence
Bardin é professora-assistente de Psicologia na Universidade de Paris V, onde
aplicou as técnicas da Análise de Conteúdo na investigação psicossociológica
e no estudo das comunicações de massas.
A autora
explica que no processo de análise de conteúdo há três polos (p.95), 1- a
pré-análise, 2 – a exploração do material e 3 – o tratamento dos resultados,
a inferência e a interpretação. A
primeira fase é de escolha dos documentos que serão analisados e sua
consequente leitura “flutuante”, a partir da escolha por meio de regras de
exaustividade, de representatividade, de homogeneidade e pertinência; de
formulação das hipóteses, ou seja, interrogar-nos sobre uma verdade, podendo
haver ideias pré-concebidas ou não; e dos objetos e da elaboração dos
indicados interpretativos, a partir de pré-testes de análise com esses
objetos.
O
tratamento dos resultados obtidos e a interpretação desses dados deve ser
significativo e válido para uma certa pesquisa, podendo ser submetidos à provas
estatísticas e testes de validação.
A
codificação (p.103) é uma forma de tratamento do material analisado. Assim
racionaliza-se sobre o porque se analisa tais dados e o como se analisa. Essa
organização gera 3 escolhas, 1- o recorte, havendo a escolha das unidades,
podendo ser um tema (núcleos de sentido), uma palavra ou frase específicos,
um personagem ou um acontecimento também podem ser escolhidos; 2- a
enumeração, com a escolha das regras de contagem, por meio da frequência de
aparecimento daquele dado ou ausência do mesmo, com maior ou menor
intensidade, ou ordem, ou co-ocorrência (presença simultânea de dois ou mais
dados escolhidos) e 3- a classificação e a agregação, com a escolha das
categorias.
A
categorização (p.117) é uma fase de classificação dos elementos constitutivos
de um conjunto textual. Os critérios da categorização podem ser semânticos,
sintáticos, léxicos e expressivos. E gera um processo estruturalista – que
condensa simplificadamente os dados brutos em duas etapas: o inventário, que
isola os elementos e a classificação que reparte os elementos e procura uma
certa organização nas mensagens.
Há boas
e más práticas, quando da categorização, as boas referem-se à exclusão mútua,
à homogeneidade, à pertinência, à objetividade, à fidelidade e à
produtividade. Alguns analistas se utilizam do Index, que seria um sistema de
análise de categorias adaptado ao tratamento automático. Alguns exemplos de Index: o Harvard Third Psychosociological
Dictionary, Stanford Political Dictionary, Need Achievement Dictionary,
dentre outros.
A
inferência (p.133) é sobre o que se pode incidir esse tipo de interpretação
controlada, a análise de conteúdo. Fazem parte da inferência, o emissor,
produtos da mensagem; o receptor, que pode ser um indivíduo ou um grupo; a
mensagem; o código, indicador capaz de revelar realidades subjacentes e; a
significação, que seria a passagem sistematizadas pelo estudo formal do
código; e por fim, o medium, o canal, o instrumento, o suporte
material do código.
Para se
analisar as inferências do conteúdo analisado, percebe-se alguns antecedentes
da comunicação, como por exemplo: assegurar a inteligência militar e política
dos participantes; analisar as características psicológicas dos indivíduos;
observar mudanças culturais entre os entrevistados; verificar as intenções de
legalidade e autenticidade, e os resultados da comunicação.
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GOLDMAN, Marcio. Jeanne Favret-Saada, os afetos, a
etnografia. Cadernos de campo. n.13: 149-153, 2005.
Goldman cita Fravret-Saada que escreveu o livro Les Mots, la Mort, les Sorts, obra-prima da história do
pensamento antropológico, que resultou de pesquisa de campo de 1968 a 1971.
É considerado um livro diferente de todos os estilos etnográficos
contemporâneos mais usuais, pois não se limita a apresentar pessoas e suas
ações, como um naturalista, nem tão pouco de descreve-los. Utiliza-se de um
método diverso do paradigma cientificista, pois tenta ajudar algumas pessoas,
dito por alguns na época de sua publicação como uma forma de feitiçaria, já
que a autora iniciou suas pesquisas sobre feitiçaria na região do Bocage
francês.
Suas pesquisas se fixaram em torna da feitiçaria e suas implicações
como a modalidade de violência, como parte de práticas terapêuticas, como
local de afeto, e assim como questão de etnografia e antropologia. A partir
daí partiu para a blasfêmia e o projeto de uma antropologia da blasfêmia.
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“Ser afetado”,
de Jeanne Favret-Saada, 1990. “Être Aff ecté”. In: Gradhiva: Revue d’Histoire
et d’Archives del’Anthropologie, 8. pp. 3-9. Trad. Paula Siqueira.
A autora
em questão discorre em seu artigo sobre a pesquisa de campo em Bocage, na
França, onde reconsidera a noção de afeto a partir de suas análises.
A
técnica utilizada pela pesquisadora durante as visitas de campo em locais
onde haviam as feitiçarias não era nem observação participante nem empatia.
Ela realmente se deixou envolver pelos rituais. E critica a forma como outros
antropólogos faziam suas pesquisas, quando se tratava de feitiçaria, além de
avaliar que em todos os textos que leu sobre o tema, afirmava-se que não
havia feitiçaria na Europa ocidental. Não era o que ela viu.
Na área
pesquisa, a autora teve de início dificuldade em obter informações sobre o
fato de haver ou não feitiçaria em Bocage. Porém algum tempo depois, com o
decorrer das dias e semanas, as pessoas acreditavam que a pesquisadora estava
sofrendo de alguma feitiçaria, o que abriu as portas para que Saada iniciasse
propriamente sua pesquisa.
Assim, a
autora relata alguns dos eventos de enfeitiçado e dos desenfeitiçadores, e
diz que sentia como “nativa” em meio aos seus objetos de pesquisa. Contudo,
explica que se um etnógrafo aceita ser afetado, isso não significa que se
identifica com o nativo, ou que está se aproveitando do campo para exercitar
o narcisismo, aceitar ser afetado supõe correr riscos em seu projeto de
conhecimento.
A
abordagem da autora é bastante interessante e diferenciado das demais
técnicas de etnografia, principalmente pelo fato de participar de forma
ativa.
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TOMAS DE AQUINO, São. Suma
Teológica. I, 1: Se a Teologia é uma ciência. 1988.
Tomas de
Aquino nasceu por volta do ano 1225, da família dos Condes de Aquino. Estudou
primeiramente no mosteiro de Monte Cassino e depois em Nápoles. Ingressou na
Ordem dos Frades Pregadores e completou os estudos em Paris e em Colônia,
tendo tido como professor Santo Alberto Magno. Escreveu muitas obras de
grande erudição, e, como professor, lecionou disciplinas filosóficas e
teológicas, o que lhe valeu grande reputação. Morreu nas proximidades de
Terracina, a 7 de março de 1274. Sua memória é celebrada a 28 de janeiro,
data em que seu corpo foi trasladado para Toulouse (França), em 1369[1].
Aquino
combina a filosofia de Aristóteles, em sua obra Metaphys com a doutrina católica, na obra de 3 volumes Suma
Teológica. Discute-se nesse primeiro volume algumas questões sobre a
existência de Deus para o autor, afirmando que a existência em si não é
evidente porém há dois tipos de demonstração, a causa e os efeitos. Assim a
existência de Deus não é evidente para os seres humanos, contudo por ser
demonstrada por efeitos que Ele gera em nós. São os sentidos de nosso corpo e
mente que adquirem esse conhecimento, assim como os humanos desenvolvem a
ciência.
Aristóteles, em Metafísica diz que o verdadeiro e o falso não estão
nas coisas, mas no intelecto, na razão, portanto a prova do juízo não se faz pelo
acidental, mas pelo essencial. A verdade está principalmente no intelecto. Desse
modo, tendo a ciência sido baseada em princípios evidentes, enquanto que a
doutrina sagrada parte da fé não evidente, Aquino acredita que a doutrina
sagrada não é ciência.
Em contradição a uma passagem de Agostinho, Aquino repensa e afirma
que a doutrina sagrada é ciência, já que a ciência permanece naquele que
defende, fecunda a fé.
Por conclusão, o autor esclarece que há dois tipos de ciência, “Unas”,
que baseiam suas conclusões em princípios evidentes a luz do entendimento
natural e “otras”, que baseiam-se na ciência superior. Nesse último sentido a
doutrina sagrada é ciência, pois tem base da ciência de Deus e dos santos.
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SILVA, Anielson Barbosa. et al
(orgs) Pesquisa Qualitativa em estudos
organizacionais: paradigmas, estratégias e métodos. Capítulo 10 – Entrevista qualitativa. 2006.
O capítulo
visa identificar o discurso formal sobre o método de pesquisa, a entrevista
qualitativa, alertando para as possibilidades de se formalizar demais a forma
de aplicar tal método, já que busca-se muitas vezes imitar as ciências exatas
e naturais.
Esse método
é utilizado pelas primeiras vezes nas ciências sociais, a partir da década de
30. Os autores enumeram diversas especificidades da entrevista qualitativa,
sendo que a entrevista em profundidade é aquela que objetiva investigar a
vida do entrevistado de forma bastante ampla, em contrapondo, a entrevista
focalizada objetiva analisar algum tema em específico que os entrevistados
devem ou espera-se que saberão responder relacionado às suas vidas.
Assim a
entrevista em profundidade fica longe do formalismo técnico esperado em
outras técnicas, portanto é também nominada de entrevista aberta, ou
simplesmente de entrevista qualitativa. Contudo não trata-se de apenas
registrar tudo que o entrevistado fala de sua vida, mas também analisar o
discurso e interpretá-lo.
Uma dúvida
recorrente no decorrer das pesquisas qualitativas e quando se aplica
entrevistas abertas é sobre quem, quantos e quantas vezes entrevistar, pois
nesse método não há cálculo estatístico do tamanho amostral ideal para tal
pesquisa. Uma das técnicas utilizadas é a bola de neve, onde a partir da
indicação de amigos, parentes, outros contatos pessoais encontra-se esses
sujeitos que poderão se tornar os entrevistados da pesquisa.
O papel do
entrevistador também é bastante importante no momento da pré-entrevista e da
entrevista em si, pois dependendo da forma de aproximação e do desenrolar do
ato, o entrevistado pode se sentir constrangido ou ameaçado, em razão do
comportamento do pesquisador ou entrevistador, renegando algumas informações
que seriam preciosas a pesquisa. A paciência e compaixão do entrevistador se
mostram também imprescindíveis, já que silêncios e emoções podem vir à tona e
se não levados em consideração e respeitados, podem também ser deixados de
lado, sendo que poderiam trazer outras informações e dados relevantes.
A entrevista
qualitativa só funciona quando há a arte do vínculo, ou seja, “é um jogo de
estratégias comunicativas, uma invenção dialógica, um gênero discursivo, que
antes de se submeter às regras da linguagem, submete-se aos usos, ao contexto
e aos sujeitos como atores sociais” (p.318).
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ALBERTI, Verena. Tratamento das
entrevistas de história oral no CPDOC. Rio de Janeiro: CPDOC, 2005. 11f.
O artigo discute a prática e as experiências do Programa de História
Oral do CPDOC, da FGV no que se refere às fontes orais.
As primeiras entrevistas realizadas nesse programa foi em 1975, e
desde o início era realizada uma cópia da entrevista, por segurança, bem
como, a transcrição em forma escrita. Atualmente (quando da escrita do
artigo) há 55 projetos que geram entrevistas de história oral, relacionadas
com diversas temáticas.
Com esse enorme número de entrevistas realizadas por ano, e o acervo
de mais de 30 anos, o CPDOC possui um grande arquivo onde tudo isso é
armazenado e que aos poucos vem sendo sumarizado de forma mais moderna, e não
mais em cartolinas e listas emendadas à mão como era feito antigamente.
Alguns problemas enfrentados pelo Programa são a ausência de agilidade
entre a realização da entrevista e a sua liberação e também a não-liberação
do conteúdo pelo depoente. Outro problema é a falta de tecnologia na gravação
e na forma de armazenamento desse conteúdo. Após Verena explica o
procedimento de coleta da base de dados, ou seja, como gravar uma entrevista
e envia-la corretamente ao Programa, podendo haver 3 tipos de acessos: áudio,
audiovisual e texto.
A autora frisa que quanto mais informações relacionadas à entrevista
houver, melhor serão os resultados, vez que a intencionalidade ficará mais
clara e o papel do historiador assim se aclarará da mesma forma. Afinal são
quase 5mil horas gravadas que precisam ter um destino de pesquisa interessante
e que valorize a riqueza de seu conteúdo.
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KRISCHKE, Paulo e FERNANDES, Cintia Sanmartin. Estilos de vida e políticas deliberativas. Revista de Ciências Humanas. Florianópolis, v.44, n.2, p. 343-362, out 2010.
O artigo dos autores apresenta certas reflexões sobre um grupo focal
que foi realizado nos bairros populares do Morro da Cruz, em Florianópolis.
Eles dividiram o trabalha em 4 partes, num primeiro momento, discutiram as
questões do viver comunitário, ou seja, reafirmando com o outro e através do
outro o que somos, para dar sentido à nossa existência social. Essa dialética
é dinâmica, híbrida e fluída, o que mostra que não há culturas ditas puras,
intocadas (p.345). Já que os grupos movem-se em meio a teias recheadas de
significados e significantes, através de uma rede, no concepção de Habermas
(p.346) que geram relações simbólicas entre os indivíduos desse grupo e as
representações políticas que envolvem o corpo social cotidiano (p.347).
No segundo momento os autores discursaram sobre o conceito de
comunidade reflexiva, com base principalmente nos discursos teóricos de
Anthony Giddens e Ulrich Beck, onde denominam reflexividade como algo com
valor cumulativo e que se desenvolve num contexto de individualização, porém
mais precisamente, os autores utilizaram o conceito de reflexividade não
sendo algo necessariamente de caráter individual (p.349). Falam sobre a
reflexividade estética dentro dos grupos como forma de compreender a
comunidade onde vivem, o seu momento e a sua lógica local (p.350), por isso
se aproximam do conceito de Scott Lash, sobre comunidade reflexiva (p.351).
Num terceiro viés, analisam e problematizam os conceitos de imagem e
arte, sob o olhar crítico da modernidade. Vez que “a modernidade construiu um
discurso em que a imagem poderia ser a responsável pela homogeinização da
sociedade” (p. 352). Afinal conforme
Krischke & Fernandes (2010, p. 352) “o aniquilamento da vida comunitária
em nome da construção de uma sociedade de indivíduos livres e racionais negou
a muitos a possibilidade de fazerem parte deste projeto, ou deste processo
‘civilizador’”.
A imagem liga indivíduos de um mesmo grupo quando compartilhados pelo
mesmo significado de vida, ou seja, constrói conceitos culturais de uma época
temporal, diferente de outros tempos e outros significados (p.353). Assim, os
autores dão exemplos de estilos musicais, de arte, formas de agir comunitário
(p.354).
Por fim, no quarto período do artigo, os autores descrevem a
experiência de grupo focal e entrevistas realizadas na pesquisa com as
comunidades do Morro da Queimada, do Morro da Cruz, assim como descrevem a
situação da comunidade quando da pesquisa, especialmente quanto a questão
territorial daquela comunidade.
Acredito que o desenvolver da pesquisa junto a uma comunidade
específica, ou seja, sob um olhar ativista, antireducionista e de
conhecimento não somente analista, que una o investigador com uma ação
política, quebrando a linha divisória entre o sujeito e o objeto de pesquisa,
é uma possibilidade de trabalho na tese. A pesquisa hegemônica precisa dar
lugar à pesquisa interdisciplinar, não no sentido de serem uma o contrário da
outra, o que necessariamente não o são, mas os estudos moldados na
perspectiva eurocêntrica vem perdendo espaço para novas perspectivas.
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GONZALEZ. Rodrigo Stumpf. O Método comparativo e a ciência política. Ver. De Estudos e Pesquisas sobre as Américas. 2008.
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O autor
discorre sobre como o método comparativo para ser utilizado nas pesquisas que
envolvam as ciências políticas. Iniciando sua fala por questionar qual ou
quais os métodos que o pesquisador pode utilizar nas pesquisas. Por outro
lado ele lembra que a discussão sobre epistemologia e método como formas de
construção de conhecimento vem desaparecendo dos currículos acadêmicos, sendo
substituídos aos poucos pelas especialização de conteúdos. Assim o autor tem
a intenção e o objetivo de resgatar a importância do método comparativo como
forma de pesquisa nas ciências sociais e na ciência política.
A partir de
então Gonzalez explica que John Mill foi o precursor dos estudos com método
comparativo. Ele se subdivide em método de concordância, que seria quando os
casos discordam em todos os fenômenos, menos em um ponto; o método de
diferença, quando os casos são idênticos porém não em relação ao fenômeno
estudado.
Esse método
– diferença – é adequado para a experimentação artificial, enquanto da
concordância é mais indicado às pesquisas que a experimentação não é
possível. Mill afirma que ambos os métodos não vinham sendo aplicados às
ciências sociais. Enquanto Durkheim sustenta que sim, assim também como
Weber.
Os três
métodos: experimental, estatístico e comparativo possuem diferença no
tratamento dos parâmetros e variáveis operativas. Vale ressaltar que o método
experimental tem o condão de manipular diretamente a situação a fim de criar
parâmetros e variáveis operativas. O estatístico, contudo, busca transformar
condições operativas em parâmetros.
Para o autor
e em concordância com Mill, é possível utilizar mais de um desses métodos,
partindo de comparações individuais para níveis de subsistemas e sistemas.
Porém alguns
autores reivindicam alguns problemas com a utilização desses métodos, já que
o principal problema é a relação entre muitas variáveis e um número pequeno,
tornando impossível o uso da estatística. Como solução Gonzalez, citando
Sartori, entende que primeiro precisa-se definir adequadamente conceitos e
desenvolver categorias para então pensar as possibilidades de criar
gradações.
Conclui,
pois o autor que, boas teorias sem dados e sem um método cientifico adequado
acabam por se fragilizar, contudo abundancia de dados, variáveis e resultados
estatísticos serão inúteis sem um corpo teórico bom e que dê sentido a
pesquisa.
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BOURDIEU, Pierre. et al. A Ruptura, pp. 23-44. In: A profissão do sociólogo. Petrópolis:
Vozes, 1999.
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Bourdieu é
sociólogo, filósofo e antropólogo francês, nascido em 1930. Passeron e
Chamboredon também sociólogos franceses. Os três autores publicam a obra “A
profissão de Sociólogo” em 1968, ou seja, no auge dos acontecimentos
científicos e estudantis na França (Maio de 1968).
Analisando
parte escolhida da obra percebe-se que os autores discorrem sobre a ciência
indissociada das reflexões sociológicas e epistemológicas, assim, havendo
trocas simbólicas entre o que é o fazer científico e a construção do
conhecimento cientifico. Sendo que os autores reconhecem que as condições
sociais seriam obstáculos para o conhecimento cientifico.
Como forma
de transpor esses obstáculos, os autores sugerem uma ciência social
unificada, que siga um rigor científico, e como acrescenta Bachelard, de modo
a defender que as ciências sociais podem ser “tão científicas” quanto às
ciências da natureza.
Toda a
defesa de Bourdieu quanto às ciências sociais como um fazer cientifico,
entendido na relação entre a prática e a lógica da episteme é baseada nas
análises dos teóricos clássicos, Marx, Weber e Durkheim quanto aos fatos
sociais.
Os autores
ainda entendem que a sociologia seria melhor representada na epistemologia
das ciências da natureza se se emprenhasse em verificar constantemente o que
está construindo, em vez de se fixar na prática ingênua de uma ciência sem
erros, poderosa de um saber definitivo.
Bachelard,
citado pelos autores, expressa sua revolta quanto a profissão do sociólogo,
dizendo que ele deve combater em si próprio o profeta social, ainda que haja
a exigência popular para tanto.
Por fim, os
autores entendem que muitos teóricos reclamam por uma urgência de haver uma
teoria sociológica, que responda aos anseios de uma teoria geral e universal,
porém não é uma teoria universalizante que responderá os anseios de todas as
sociedades, principalmente as mais complexas.
Acredito que
os autores, Bourdieu, Passeron e Chamboredon, na época da escrita desse texto
começaram os primeiros pensamentos para uma nova forma de se pensar a
sociologia e o pensamento sociológico. Dissociando por completo os
problemas/fatos sociais que por muitos é/era visto por teorias universais e
que com esse novo paradigma é visto desconectado da ciência da sociologia.
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MINAYO, Maria Cecilia de Souza.
Disciplinaridade, Interdisciplinaridade e Complexidade. In: Ver Emancipação.
Ponta Grossa, 10. 2 p. 435-442.
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Minayo, socióloga, doutora em Saúde Pública, retrata
em seu artigo uma síntese de uma Jornada de Estágio de Serviço Social em
2010.
Em síntese a autora conceitua 4 elementos envoltos
em sua pesquisa. Multidisciplinaridade
que seria a justaposição de disciplinas, cada uma com suas próprias teorias e
metodologias; Multiprofissionalismo
que seria uma múltipla articulação de profissionais para resolver um
problema; Interdisciplinaridade que
seria a articulação de várias disciplinas com enfoque em um objeto, ou
problema, sendo que é o objeto que nos convoca com sua complexidade e; Transdisciplinaridade que seria o
produto final da interdisciplinaridade, ou seja, quando se ultrapassa os
limites de uma disciplina pelo investimento articulado. Ainda discorre sobre
o pensamento complexo, que conforme Heidegger, Gadamer e Weber, tem como
princípio a dialógica, assim, precisamos conversar e ouvir, pois é uma
pensamento intersubjetivo.
Quanto à história da interdisciplinaridade, Minayo
relata que a partir da década de 60 há movimentos (ambientalistas,
feministas, anti-antropocentrista, etc) para que haja novos questionamentos
aos métodos e à ideia de ciência, bem como, críticas ao excesso de
racionalismo. “O triunfo da especialização consiste em saber tudo sobre
nada”. Com o desenvolvimento tecnológico percebeu-se que todos os seres vivos
estão intricados em redes e para entende-los, precisa-se analisar o todo.
Na 4ª parte do artigo, a autora discute os problemas
mais comuns nos estudos disciplinares e interdisciplinares, exemplificando
casos bem e mal sucedidos de discussões sobre temas complexos, como
violência, ainda que em termos locais ou globais. Quanto ao método de
pesquisa nesses estudos, a autora esclarece o que seria o “fetiche do
método”, ou seja, quando os pesquisadores acham que a verdade se esconde na
sofisticação do método, sem qualquer pergunta teórica ou contextualização que
deveria ser feita de forma interdisciplinar.
Quanto às questões metodológicas, Minayo afirma que
o pesquisador não deve abandonar a sua formação, porém precisa entender e
aceitar a experiência interdisciplinar, estabelecendo trocas, colaboração,
cooperação; aceitando o abandono da vaidade unidisciplinar.
Acredito que a autora é adepta da nova ordem
científica, que questiona a racionalidade científica até meados da década de
70 estabelecida, propondo novas formas de pesquisa.
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FERNANDES, Felipe; CARLOS, Paula. A
interdisciplinaridade nos estudos de Gênero: análises das teses do Doutorado interdisciplinar
em ciências humanas da UFSC. In: A aventura interdisciplinar. 2010.
pp.181-194.
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Fernandes e
Carlos, doutores em Ciências Humanas, fizeram uma análise sobre as teses
publicadas entre 2003 e 2007 do curso de Doutorado Interdisciplinar em
Ciências Humanas (DICH), da UFSC, percebendo o que os docentes e discentes
publicaram nesse periodo, bem como, quais autores/teóricos que mais foram usados.
Foram
avaliadas 11 teses, nas quais as áreas mais pesquisadas tinham relação com às
Ciências Humanas, Letras e também Saúde, Direito e Educação. Percebeu-se nas
pesquisas que havia dois aspectos reincidentes, quais eram, a
interdisciplinaridade da área e a consolidação das pesquisas sobre gênero.
Sobre os
discentes do DICH, as áreas nas quais eles provieram são as mais diversas:
Sociologia, Psicologia, Filosofia, Enfermagem, Jornalismo, Engenharia Civil,
sem contar, a grande diversidade de cursos de especialização e mestrado.
Quanto aos
docentes a história se repete. As professoras que mais orientaram dentro das
teses analisadas foram, Prof. Mara Lago, Miriam Grossi e Joana Pedro.
Referente a
interdisciplinaridade dentro dos estudos de gênero, das 9 teses analisadas,
perceberam dois grandes grupos, nas quais se articularam por um lado a 2
disciplinas ou campos de conhecimento e no outro, mais de duas áreas das
ciências humanas.
Relacionando
os teóricos mais utilizados nas teses, encontram Michel Foucault, Judith
Butler e Maria Luiz Heilborn, também Anthony Giddens. Dentre os docentes
citados nas teses, a mais citada foi a prof. Miriam Grossi.
Em
conclusão, perceberam que a maioria dos discentes vieram de uma trajetoria de
vida acadêmica interdisciplinar, enquanto os docentes, não. Todos ainda
possuem uma aderência disciplinar, sendo que a maior parte deles são
antropólogXs ou sociológXs.
O artigo
retrata parte da realidade do que ocorreu entre 2003 e 2007 no DICH, contudo
não incluíram as outras linhas de pesquisa, o que acaba por não demonstrar o
que se publicou no curso como um todo, embora a pesquisa apresente uma
perspectiva voltada somente para o gênero, o que explica tal escolha e
delimitação.
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