O Porquê disso tudo...

Um dia ouvi de uma professora que existe um campo verde que representa o conhecimento. Nesse campo existem diversas árvores, cada uma poderíamos chamar de grandes áreas do conhecimento. "Dentro" dessas árvores há galhos e ramos que nos levam a pequenas folhas. Eu me aprofundei em algumas dessas folhas de algumas árvores do conhecimento, por isso quero dividir esses estudos com quem tiver interesse em conhecer alguma "nova" ou "velha" folha. Sem intenção de gerar a priori novos frutos, porém apenas semear, agora sim, ideias e esclarecimentos.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

HISTÓRIA DA ECOLOGIA: UMA CIÊNCIA DO HOMEM E DA NATUREZA, de JEAN-PAUL DELÉAGE

FICHAMENTO APRESENTADO NA DISCIPLINA - RIO + 20
Estava ainda somente como aluna ouvinte (regime especial) no Doutorado.
CHRISTIANE  KALB 
outubro 2012





O autor busca estudar a Ecologia como ciência, constituída pelos ecossistemas, isto é, os sub-conjuntos do mundo da natureza que apresentam uma certa unidade funcional. A ecologia começa formalmente em 1866, com a invenção do termo por Ernst Haeckel.
Hoje, a ecologia mundial está dominada pelos investigadores norte-americanos e toda a reflexão sobre a sua história e o seu destino fortemente deformado pelo aspecto linguístico e etnocêntrico introduzido por tal situação. Atualmente nenhuma investigação historiográfica pode pretender evitar esta questão.
A revolução industrial, apoiada na ciência, transformou-se no mais eficaz predador, mas a natureza das transformações que ela desencadeou, provocou mais efeitos do que um simples predador. Esta original situação confere uma enorme complexidade à análise da importância especifica do homem nos ecossistemas, análise com que a ciência ecológica se defronta desde a sua origem.
Analisando o processo histórico, foi na Grécia clássica que se desenvolver as interrogações donde a ciência e a filosofia são reconhecidas, as influências da magia e do mito não tinham ainda desaparecido do pensamento especulativo, nem em Aristóteles, nem em Teofrasto ou Plinio, autores frequentemente apresentados como antepassados da ecologia moderna.
No plano do conhecimento erudito do mundo vivo, a longa Idade Media nos oferece nada de fundamental, pois conhecer a natureza é conhecer Deus, que a criou, é penetrar no mistério ontológico. Segundo L. White, é a vitória do cristianismo ocidental sobre o paganismo, a maior revolução psíquica da nossa cultura, consagra a separação e a superioridade do homem perante a natureza.
Limoges qualifica a ecologia de Lineu de providencialista, sem com isso negar o valor dos critérios por ele utilizados para ordenar as observações, e deste modo, admitir que, para a ecologia, estão desbravadas as pistas que a outros caberá alargar, no século seguinte.
O homem, para Buffon, está no centro duma natureza que é diversificada e abundante, mas estável, pois a destruição e a reprodução mantêm-lhe o equilíbrio.
O século XIX, por sua vez, vai operar uma tripla ruptura. A primeira diz respeito à aceleração do domínio que o homem exerce sobre o espaço planetário. Logo que os europeus terminam a conquista do planeta, as grandes expedições científicas da época moderna vão permitir completar o conhecimento da distribuição geográfica das espécies. A segunda ruptura corresponde a uma revolução na concepção do tempo, pois com os trabalhos de Buffon, Lamarck e Hutton e com as descobertas essenciais de Wallace e Darwin, o tempo torna-se um parâmetro decisivo e criador na regulação das populações e na dinâmica das suas evoluções. Finalmente, a terceira ruptura resulta de um importante realinhamento entre as ciências físico-químicas e as ciências da vida. Os progressos da fisiologia e da análise química, os primeiros balanços agronômicos concretos, e enfim, a termodinâmica vão permitir delinear os esquemas dos grandes círculos dos minerais essenciais.
Desta forma, os autores Wallace e Darwin vão renovar totalmente as antigas problemáticas quer da história natural, biogeografia, dinâmica e história das populações, que ainda das relações entre o homem e as outras espécies e a sua origem, este mistério entre os mistérios, em suma, da economia da natureza.
A grande descoberta partilhada entre Darwin e Wallace é a da grande variabilidade do individuo no interior da população da sua espécie. O estudo da transformação das espécies só é possível se foram consideradas as flutuações que sobrevém inesperadamente nas grandes populações. Enquanto para os seus predecessores a luta pela vida, ao exercer-se sobre um tipo comum, tem apenas uma função reguladora.
A ciência deve evolui entre duas necessidades aparentemente contraditórias, que são: a especialização no sentido do aprofundamento dos conhecimentos específicos e regionais da realidade, e globalização indispensável à compreensão do funcionamento do conjunto. Visto que no mundo cientifico há a consciência, tanto da necessidade de um saber unificado que articule as diversas abordagens do mundo no seio duma visão global, como da falta duma compreensão mais profunda do funcionamento da natureza, apesar das sociedades dominadas pela dinâmica conquistadora e predadora do capitalismo expressarem esta necessidade na finalidade confessada de ampliar e aumentar a eficácia da exploração. A ecologia vai, portanto, nascer destas necessidades e a ideia de que o mesmo equilíbrio natural rege, quer a marcha da sociedade quer a da natureza, vai servir de fundamento à ecologia, como já tinha servido à economia.

Foi em 1866, pela primeira vez na literatura científica, que a palavra ecologia terá sido proposta. O autor, Ernst Haeckel, um biólogo alemão apaixonado por neologismos e vulgarizador das ideias de Darwin, apenas indiretamente contribuiu para o desenvolvimento da disciplina a que deu nome e a definição.
Por ecologia, Deleage entende, a ciência das relações dos organismos com o mundo exterior, onde podemos reconhecer duma maneira mais ampla, os fatores da luta pela existência.
Ainda falta assegurar o conhecimento, ainda falta compreender a ordem. Os naturalistas não são os únicos a afrontar as novas questões levantadas pelo desenvolvimento tumultuoso do capitalismo. Haeckel dá a primeira definição de ecologia numa época em que a confiança no progresso tem uma força extraordinária. Marx conseguiu, sem dúvida, a mais completa formulação deste progressivo messiânico na célebre passagem do Manifesto: Classe no poder apenas há um século, a burguesia criou as mais numerosas e gigantescas forças produtivas, como não o havia, feito todas as gerações passadas em conjunto. Posta sob o jugo das forças da natureza, maquinismo, aplicação da química à indústria e à agricultura, navegação a vapor, caminhos de ferro, telégrafos elétricos, desbravamento de continentes inteiros, regularização de rios, populações inteiras jorrando do solo, que século anterior terá suspeitado que tais forças produtivas estavam adormecidas no seio do trabalho social?
Todos, ou quase todos os processos vitais, dependem dos grandes fluxos energéticos de origem solar. O que acontece quando se consideram os ecossistemas como a unidade base do mundo vivi? A noção de sistema já deu uma contribuição importante em termodinâmica, no estudo do comportamento de entidades físicas ou químicas, ainda que sob a coação dos princípios de conservação e transformação da energia.
Estudos tróficos entram em moda a partir dos anos cinqüenta, ao ponto de hoje preencherem revistas ecológicas inteiras[…] particularmente os que se interessam pelos problemas da gestão dos recursos naturais.
Segundo Odum, não existem diferenças essenciais entre fatos naturais e sociais. Nos dois casos, está em ação o mesmo princípio de otimização do uso das matérias primas e da energia. Quer se queira quer não, os humanos são intervenientes nos ecossistemas primitivamente virgens.
Entre as causas que se opõem ao progresso da humanidade no caminho para a felicidade, Malthus retém apenas uma, de ordem biológica, relativa à tendência de todos os seres vivos para aumentarem a espécie para além dos recursos alimentares de que podem dispor a raça humana crescerá segunda a progressão 1,2,4,8,16, enquanto os meios de subsistência crescerão segundo a progressão, 1,2,3,4,5,6, No fim de dois séculos, população e meios de subsistência terão uma relação de 256 para 9. O crescimento da população tende para um limite imposto pelo caráter finito dos recursos disponíveis.
A idade de ouro da ecologia teórica correspondia à afirmação de autonomia da ecologia relativamente à biogeografia e à teoria da evolução, assim como à proclamação de independência da ecologia matemática no campo do saber. Sob o impulso de Macarthur muito pelo contrário, a nova ecologia vem firmar a ambição de reintegrar, no interior duma nova síntese, as diversificadas abordagens de outrora.
Uma das conseqüências mais marcantes desta nova revolução é o aparecimento de descrições da natureza onde o vivo e o inerte deixam de estar separados. Graças à teoria matemática do caos, a ecologia teórica recebe uma estimulação decisiva. Até ao início dos anos 70, o debate sobre a ecologia das populações opunha os defensores duma teoria determinista, vendo as evoluções regulares de populações a sofrer brutais variações apenas excepcionalmente, aos que consideravam estas evoluções como puramente aleatórias. Mas numerosos fatos permaneciam mal explicados. Muito particularmente, as explosões cíclicas de certas populações e a sua estranha periodicidade não encaixavam em nenhuma das duas explicações anteriores, o que surge como uma instabilidade generalizada a uma determinada nível de apreensão pode conceber-se a outro nível, como um caos estável, ou seja, uma situação matematicamente caótica pode revelar-se estável do ponto de vista ecológico.

O conceito de biosfera teve um profeta no inicio deste século Wladimir Vernadsky, um geoquímico russo, hoje considerado o pai da ecologia global, A noção de Biosfera com B maiúsculo designa a biosfera do planeta Terra, corresponde a uma conceitualização da vida terrestre concebida como uma totalidade.
A fome é o agente regulador de todo o edifício social, cujo equilíbrio apenas pode ser mantido por um esforço incessante, qualquer abrandamento neste esforço vem carregado de desastrosas conseqüências.


 



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