Estava ainda somente como aluna ouvinte (regime especial) no Doutorado.
CHRISTIANE KALB
outubro 2012
O
autor busca estudar a Ecologia como ciência, constituída pelos ecossistemas,
isto é, os sub-conjuntos do mundo da natureza que apresentam uma certa unidade
funcional. A ecologia começa formalmente em 1866, com a invenção do termo por
Ernst Haeckel.
Hoje,
a ecologia mundial está dominada pelos investigadores norte-americanos e toda a
reflexão sobre a sua história e o seu destino fortemente deformado pelo aspecto
linguístico e etnocêntrico introduzido por tal situação. Atualmente nenhuma
investigação historiográfica pode pretender evitar esta questão.
A
revolução industrial, apoiada na ciência, transformou-se no mais eficaz predador,
mas a natureza das transformações que ela desencadeou, provocou mais efeitos do
que um simples predador. Esta original situação confere uma enorme complexidade
à análise da importância especifica do homem nos ecossistemas, análise com que
a ciência ecológica se defronta desde a sua origem.
Analisando
o processo histórico, foi na Grécia clássica que se desenvolver as
interrogações donde a ciência e a filosofia são reconhecidas, as influências da
magia e do mito não tinham ainda desaparecido do pensamento especulativo, nem
em Aristóteles, nem em Teofrasto ou Plinio, autores frequentemente apresentados
como antepassados da ecologia moderna.
No
plano do conhecimento erudito do mundo vivo, a longa Idade Media nos oferece
nada de fundamental, pois conhecer a natureza é conhecer Deus, que a criou, é
penetrar no mistério ontológico. Segundo L. White, é a vitória do cristianismo
ocidental sobre o paganismo, a maior revolução psíquica da nossa cultura,
consagra a separação e a superioridade do homem perante a natureza.
Limoges
qualifica a ecologia de Lineu de providencialista, sem com isso negar o valor
dos critérios por ele utilizados para ordenar as observações, e deste modo,
admitir que, para a ecologia, estão desbravadas as pistas que a outros caberá
alargar, no século seguinte.
O
homem, para Buffon, está no centro duma natureza que é diversificada e
abundante, mas estável, pois a destruição e a reprodução mantêm-lhe o
equilíbrio.
O
século XIX, por sua vez, vai operar uma tripla ruptura. A primeira diz respeito
à aceleração do domínio que o homem exerce sobre o espaço planetário. Logo que
os europeus terminam a conquista do planeta, as grandes expedições científicas
da época moderna vão permitir completar o conhecimento da distribuição
geográfica das espécies. A segunda ruptura corresponde a uma revolução na
concepção do tempo, pois com os trabalhos de Buffon, Lamarck e Hutton e com as
descobertas essenciais de Wallace e Darwin, o tempo torna-se um parâmetro
decisivo e criador na regulação das populações e na dinâmica das suas evoluções.
Finalmente, a terceira ruptura resulta de um importante realinhamento entre as
ciências físico-químicas e as ciências da vida. Os progressos da fisiologia e
da análise química, os primeiros balanços agronômicos concretos, e enfim, a
termodinâmica vão permitir delinear os esquemas dos grandes círculos dos
minerais essenciais.
Desta
forma, os autores Wallace e Darwin vão renovar totalmente as antigas
problemáticas quer da história natural, biogeografia, dinâmica e história das
populações, que ainda das relações entre o homem e as outras espécies e a sua
origem, este mistério entre os mistérios, em suma, da economia da natureza.
A
grande descoberta partilhada entre Darwin e Wallace é a da grande variabilidade
do individuo no interior da população da sua espécie. O estudo da transformação
das espécies só é possível se foram consideradas as flutuações que sobrevém
inesperadamente nas grandes populações. Enquanto para os seus predecessores a
luta pela vida, ao exercer-se sobre um tipo comum, tem apenas uma função
reguladora.
A
ciência deve evolui entre duas necessidades aparentemente contraditórias, que
são: a especialização no sentido do aprofundamento dos conhecimentos
específicos e regionais da realidade, e globalização indispensável à compreensão
do funcionamento do conjunto. Visto que no mundo cientifico há a consciência, tanto
da necessidade de um saber unificado que articule as diversas abordagens do
mundo no seio duma visão global, como da falta duma compreensão mais profunda
do funcionamento da natureza, apesar das sociedades dominadas pela dinâmica
conquistadora e predadora do capitalismo expressarem esta necessidade na
finalidade confessada de ampliar e aumentar a eficácia da exploração. A
ecologia vai, portanto, nascer destas necessidades e a ideia de que o mesmo
equilíbrio natural rege, quer a marcha da sociedade quer a da natureza, vai
servir de fundamento à ecologia, como já tinha servido à economia.
Foi
em 1866, pela primeira vez na literatura científica, que a palavra ecologia
terá sido proposta. O autor, Ernst Haeckel, um biólogo alemão apaixonado por
neologismos e vulgarizador das ideias de Darwin, apenas indiretamente
contribuiu para o desenvolvimento da disciplina a que deu nome e a definição.
Por
ecologia, Deleage entende, a ciência das relações dos organismos com o mundo
exterior, onde podemos reconhecer duma maneira mais ampla, os fatores da luta
pela existência.
Ainda
falta assegurar o conhecimento, ainda falta compreender a ordem. Os
naturalistas não são os únicos a afrontar as novas questões levantadas pelo
desenvolvimento tumultuoso do capitalismo. Haeckel dá a primeira definição de
ecologia numa época em que a confiança no progresso tem uma força
extraordinária. Marx conseguiu, sem dúvida, a mais completa formulação deste
progressivo messiânico na célebre passagem do Manifesto: Classe no poder apenas há um século, a burguesia criou as mais numerosas
e gigantescas forças produtivas, como não o havia, feito todas as gerações
passadas em conjunto. Posta sob o jugo das forças da natureza, maquinismo,
aplicação da química à indústria e à agricultura, navegação a vapor, caminhos
de ferro, telégrafos elétricos, desbravamento de continentes inteiros,
regularização de rios, populações inteiras jorrando do solo, que século anterior
terá suspeitado que tais forças produtivas estavam adormecidas no seio do
trabalho social?
Todos,
ou quase todos os processos vitais, dependem dos grandes fluxos energéticos de
origem solar. O que acontece quando se consideram os ecossistemas como a unidade
base do mundo vivi? A noção de sistema já deu uma contribuição importante em
termodinâmica, no estudo do comportamento de entidades físicas ou químicas,
ainda que sob a coação dos princípios de conservação e transformação da
energia.
Estudos
tróficos entram em moda a partir dos anos cinqüenta, ao ponto de hoje
preencherem revistas ecológicas inteiras[…] particularmente os que se
interessam pelos problemas da gestão dos recursos naturais.
Segundo
Odum, não existem diferenças essenciais entre fatos naturais e sociais. Nos dois
casos, está em ação o mesmo princípio de otimização do uso das matérias primas
e da energia. Quer se queira quer não, os humanos são intervenientes nos
ecossistemas primitivamente virgens.
Entre
as causas que se opõem ao progresso da humanidade no caminho para a felicidade,
Malthus retém apenas uma, de ordem biológica, relativa à tendência de todos os
seres vivos para aumentarem a espécie para além dos recursos alimentares de que
podem dispor a raça humana crescerá
segunda a progressão 1,2,4,8,16, enquanto os meios de subsistência crescerão
segundo a progressão, 1,2,3,4,5,6, No fim de dois séculos, população e meios de
subsistência terão uma relação de 256 para 9. O crescimento da população
tende para um limite imposto pelo caráter finito dos recursos disponíveis.
A
idade de ouro da ecologia teórica correspondia à afirmação de autonomia da
ecologia relativamente à biogeografia e à teoria da evolução, assim como à
proclamação de independência da ecologia matemática no campo do saber. Sob o
impulso de Macarthur muito pelo contrário, a nova ecologia vem firmar a ambição
de reintegrar, no interior duma nova síntese, as diversificadas abordagens de
outrora.
Uma
das conseqüências mais marcantes desta nova revolução é o aparecimento de descrições
da natureza onde o vivo e o inerte deixam de estar separados. Graças à teoria
matemática do caos, a ecologia teórica recebe uma estimulação decisiva. Até ao
início dos anos 70, o debate sobre a ecologia das populações opunha os
defensores duma teoria determinista, vendo as evoluções regulares de populações
a sofrer brutais variações apenas excepcionalmente, aos que consideravam estas
evoluções como puramente aleatórias. Mas numerosos fatos permaneciam mal
explicados. Muito particularmente, as explosões cíclicas de certas populações e
a sua estranha periodicidade não encaixavam em nenhuma das duas explicações
anteriores, o que surge como uma instabilidade generalizada a uma determinada
nível de apreensão pode conceber-se a outro nível, como um caos estável, ou
seja, uma situação matematicamente caótica pode revelar-se estável do ponto de
vista ecológico.
O
conceito de biosfera teve um profeta no inicio deste século Wladimir Vernadsky,
um geoquímico russo, hoje considerado o pai da ecologia global, A noção de
Biosfera com B maiúsculo designa a biosfera do planeta Terra, corresponde a uma
conceitualização da vida terrestre concebida como uma totalidade.
A
fome é o agente regulador de todo o edifício social, cujo equilíbrio apenas
pode ser mantido por um esforço incessante, qualquer abrandamento neste esforço
vem carregado de desastrosas conseqüências.

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