Este subcapítulo de ALIMONDA,
Héctor tem o condão de discutir o conceito de “latinoamericano”
que está interligado com o trauma “colonial”, em sua origem, por meio do
Programa de M/C – Modernidade e Colonialidade.
O autor pretende fazer uma análise sobre a perspectiva da Ecologia
Política relacionada com a História Ambiental.
Fiz essa pequena resenha durante meu período de aluna-ouvinte (regime especial) antes de entrar de fato no Doutorado Interdisciplinar. Apresentei essa resenha numa disciplina que cursei com o Prof. Christian Caubet.
A partir das perspectivas da modernidade com um pensamento crítico da
história da colonização latinamericana percebe-se que a América é a primeira
periferia do sistema colonial europeu, que causou consequências sentidas até
hoje, como: a racionalidade nas formas estatais; acumulação de capital;
apropriação da biodiversidade natural; aparições de missões evangelizadoras e
de superioridade europeia.
O colonialismo clássico não é muito teorizado, pois tudo é normalmente
estudado do ponto de vista europeu, ou seja, o “globalocentrismo”.
Os membros do M/C, por sua vez, não concordam com massificações teóricas
e se autodefinem como possuidores de um pensamento
transmoderno, que está na margem da modernidade.
Tais pensamentos sobre o colonialismo latino tendem a criar uma
resistência à modernidade colonial, que são chamados de epistemologia de fronteira, pois colocam questões entre a
modernidade e o colonialismo, ou seja, vê o mundo pelo lado dos dominados (3º
Mundo), a modernidade e seus efeitos.
História Ambiental
O estudo da história ambiental trata da adaptação da sociedade em
ecossistemas e a transformação dos ecossistemas pelos efeitos da tecnologia. “O
conjunto da história humana evolui com os sistemas naturais” (Alimonda, 2011:
31).
O autor propõe um conceito para a História Ambiental, que seria o estudo
das interações entre sociedade humana e meio natural ao longo do tempo e das
consequências que delas derivam, incluindo as interações naturais mediadas por
humanos e as interações humanas mediadas pela natureza.
Algumas dimensões são divergentes à história ambiental, como exemplo, o
marxismo, vez que entende o progresso da ciência e da tecnologia como meio de “domesticar”
a natureza.
O conhecido modelo agrícola da “Revolução Verde” fracassou, pois consumir
mais energia do que produziu e ainda houve mais erosões, perda de
biodiversidade e fertilidade de terras contaminadas por agrotóxicos, sem contar
os custos sociais e humanos, com a saída das populações agrícolas, êxodo rural
e macro crescimento das cidades. Estes problemas não são contabilizados no
custo da produção, como ocorre: na soja transgênica da Argentina.
O Programa M/C quer recuperar os
discursos silenciados pela resistência anticolonial. Da mesma forma, a
perspectiva histórica ambiental busca também as vozes ocultas, as consequências
não assumidas nem confessadas, e a destruição ambiental e social que ocultam os
processos de desenvolvimento (Alimonda, 2011:35).
A história ambiental utiliza a dimensão histórica contrária ao marxismo e
favorável a Karl Polonyi, autor que se questiona sobre as origens das crises e
das guerras que estavam atravessando na época – 2ª Guerra Mundial.
Sua conclusão foi de que a guerra era resultado da expansão descontrolada
do liberalismo de mercado, quando nos meados do século XIX.
O fundamentalismo do mercado montado sobre a ficção provocou a
desagregação das sociedades estabelecidas, a multiplicação de crises sociais e
políticas, a necessidade de organização de sistemas repressivos e carreiras
armamentistas. Assim, sem respostas para estas crises, as autoridades /
governos declaram a guerra.
O autor – Polonyi – entende que o trabalho e a terra sempre estiveram
juntos. “O trabalho era parte da vida. E a terra parte da natureza. Mas com a
“grande transformação” a natureza foi reduzida a abstração da “terra””
(Alimonda, 2011:38).
Outra diferença entre o marxismo e a história ambiental é o processo de
reorganização da produção na função de orientação de mercados distantes, que
tem mais importância explicativa que a questão das relações de produção, da
tradição marxista.
Por exemplo, a
exploração da Mata Atlântica que foi transformada em monocultura de café ou
açúcar com força de trabalho escrava ou assalariada. Quem se importa, em qual
das duas foi realizada? O que importa, para o marxismo, é a transformação da
natureza em lucro
A Ecologia Política
Os primeiros debates sobre o assunto iniciaram em 1970 e foram muito
criticados porque colocava limites no desenvolvimento industrial. “Todos os
projetos ecológicos são simultaneamente projetos políticos – econômicos e
vice-versa” (Alimonda, 2011:41).
M. Alier trata da “distribuição ecológica” quando escreve sobre a
ecologia política, dizendo que, às vezes, a ecologia política se sobrepõe à
economia política. Escobar, por sua vez, define Ecologia Política por ser um
estudo das múltiplas articulações da história e biologia e inevitáveis
mediações culturais através das quais se estabelece articulações.
Vários autores tentar conceituar Ecologia Política, criando relações
entre o âmbito acadêmico interdisciplinar e os atores dos conflitos ambientais.
Mas estes autores minimizam as análises do papel do Estado e as políticas
relacionados ao meio ambiente.
Mas a Ecologia Política é a matriz das relações de poder social vigente
desde o período colonial na América Latina, que é o predicado central para o
acesso à terra e outros recursos naturais e seu controle. O Estado, por sua
vez, é considerado por muitos autores, como o (re)organizador dos espaços
territoriais, ficando com a capacidade de gerir a economia sobrepujando a
ecologia em seu lugar.
A colonialidade da natureza
O autor apresenta considerações sobre a colonialidade da natureza latino
americana:
O antropocentrismo sobre as origens da modernidade em paralelo com o
eurocentrismo e destaca a natureza dos espaços coloniais no início da
modernidade. O capitalismo e globalização a princípio tiveram início na Europa,
mas se não fossem os recursos latinos, não teria havido sucesso nestes
empreendimentos. Assim, os recursos naturais latinos são reduzidos a nada em
detrimento do imperialismo, destruindo áreas inteiras por produções
monoculturais, como ocorreu no Nordeste brasileiro e no Caribe com a produção
de açúcar. Isso vem ocorrendo da mesma forma que no século XXI, hoje, com a
soja transgênica e agrocombustíveis.
A colonialidade é um dos elementos constitutivos do padrão mundial de
poder capitalista impondo uma classificação racial / étnica como padrão de
poder.
A globalização contemporânea quer implantar um modelo único de
modernidade, mas também trata das diferenças, tratando como políticas das diferenças, mas não são
anti-modernas, são transmodernas, pois não tem soluções modernas para os
conflitos e crises que provoca. (Boaventura de Sousa Santos – trata deste tema,
quando fala do exercício do biopoder sobre a natureza).
Na América Latina coexistem desde a conquista ibérica uma diversidade de
regimes de natureza com predomínio hegemônico e colonizados daqueles orientados
a assegurar a governabilidade e produção de valores de troca, mas o ímpeto
destruidor sobre isso também cresce.
Então as resistências ainda vivas se tornas entidades híbridas – que constroem
alternativas para as soluções de dominações da economia política. O que se pode
equiparar com os participantes do Programa M/C.
Referências:
ALIMONDA,
Héctor. La colonialidad de la naturaleza. Una aproximación a la Ecología
Política Latinoamericana. In: La
Naturaleza colonizada. Ecología política y minería en América Latina.
Disponível em: <
http://www.democraciaglobal.org/adjuntos/article/440/La%20Naturaleza%20Colonizada.pdf>
pp. 21-60. Buenos Aires: CLACSO, 2011.

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