O Porquê disso tudo...

Um dia ouvi de uma professora que existe um campo verde que representa o conhecimento. Nesse campo existem diversas árvores, cada uma poderíamos chamar de grandes áreas do conhecimento. "Dentro" dessas árvores há galhos e ramos que nos levam a pequenas folhas. Eu me aprofundei em algumas dessas folhas de algumas árvores do conhecimento, por isso quero dividir esses estudos com quem tiver interesse em conhecer alguma "nova" ou "velha" folha. Sem intenção de gerar a priori novos frutos, porém apenas semear, agora sim, ideias e esclarecimentos.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

La colonialidad de la naturaleza: Una aproximación a la Ecología Política Latinoamericana




Este subcapítulo de ALIMONDA, Héctor tem o condão de discutir o conceito de “latinoamericano” que está interligado com o trauma “colonial”, em sua origem, por meio do Programa de M/C – Modernidade e Colonialidade.
O autor pretende fazer uma análise sobre a perspectiva da Ecologia Política relacionada com a História Ambiental. 
Fiz essa pequena resenha durante meu período de aluna-ouvinte (regime especial) antes de entrar de fato no Doutorado Interdisciplinar. Apresentei essa resenha numa disciplina que cursei com o Prof. Christian Caubet.
 


A partir das perspectivas da modernidade com um pensamento crítico da história da colonização latinamericana percebe-se que a América é a primeira periferia do sistema colonial europeu, que causou consequências sentidas até hoje, como: a racionalidade nas formas estatais; acumulação de capital; apropriação da biodiversidade natural; aparições de missões evangelizadoras e de superioridade europeia.
O colonialismo clássico não é muito teorizado, pois tudo é normalmente estudado do ponto de vista europeu, ou seja, o “globalocentrismo”.
Os membros do M/C, por sua vez, não concordam com massificações teóricas e se autodefinem como possuidores de um pensamento transmoderno, que está na margem da modernidade.
Tais pensamentos sobre o colonialismo latino tendem a criar uma resistência à modernidade colonial, que são chamados de epistemologia de fronteira, pois colocam questões entre a modernidade e o colonialismo, ou seja, vê o mundo pelo lado dos dominados (3º Mundo), a modernidade e seus efeitos.
História Ambiental
O estudo da história ambiental trata da adaptação da sociedade em ecossistemas e a transformação dos ecossistemas pelos efeitos da tecnologia. “O conjunto da história humana evolui com os sistemas naturais” (Alimonda, 2011: 31).
O autor propõe um conceito para a História Ambiental, que seria o estudo das interações entre sociedade humana e meio natural ao longo do tempo e das consequências que delas derivam, incluindo as interações naturais mediadas por humanos e as interações humanas mediadas pela natureza.
Algumas dimensões são divergentes à história ambiental, como exemplo, o marxismo, vez que entende o progresso da ciência e da tecnologia como meio de “domesticar” a natureza.
O conhecido modelo agrícola da “Revolução Verde” fracassou, pois consumir mais energia do que produziu e ainda houve mais erosões, perda de biodiversidade e fertilidade de terras contaminadas por agrotóxicos, sem contar os custos sociais e humanos, com a saída das populações agrícolas, êxodo rural e macro crescimento das cidades. Estes problemas não são contabilizados no custo da produção, como ocorre: na soja transgênica da Argentina.
 O Programa M/C quer recuperar os discursos silenciados pela resistência anticolonial. Da mesma forma, a perspectiva histórica ambiental busca também as vozes ocultas, as consequências não assumidas nem confessadas, e a destruição ambiental e social que ocultam os processos de desenvolvimento (Alimonda, 2011:35).
A história ambiental utiliza a dimensão histórica contrária ao marxismo e favorável a Karl Polonyi, autor que se questiona sobre as origens das crises e das guerras que estavam atravessando na época – 2ª Guerra Mundial.
Sua conclusão foi de que a guerra era resultado da expansão descontrolada do liberalismo de mercado, quando nos meados do século XIX.
O fundamentalismo do mercado montado sobre a ficção provocou a desagregação das sociedades estabelecidas, a multiplicação de crises sociais e políticas, a necessidade de organização de sistemas repressivos e carreiras armamentistas. Assim, sem respostas para estas crises, as autoridades / governos declaram a guerra.
O autor – Polonyi – entende que o trabalho e a terra sempre estiveram juntos. “O trabalho era parte da vida. E a terra parte da natureza. Mas com a “grande transformação” a natureza foi reduzida a abstração da “terra”” (Alimonda, 2011:38).
Outra diferença entre o marxismo e a história ambiental é o processo de reorganização da produção na função de orientação de mercados distantes, que tem mais importância explicativa que a questão das relações de produção, da tradição marxista.
Por exemplo, a exploração da Mata Atlântica que foi transformada em monocultura de café ou açúcar com força de trabalho escrava ou assalariada. Quem se importa, em qual das duas foi realizada? O que importa, para o marxismo, é a transformação da natureza em lucro
A Ecologia Política
Os primeiros debates sobre o assunto iniciaram em 1970 e foram muito criticados porque colocava limites no desenvolvimento industrial. “Todos os projetos ecológicos são simultaneamente projetos políticos – econômicos e vice-versa” (Alimonda, 2011:41).
M. Alier trata da “distribuição ecológica” quando escreve sobre a ecologia política, dizendo que, às vezes, a ecologia política se sobrepõe à economia política. Escobar, por sua vez, define Ecologia Política por ser um estudo das múltiplas articulações da história e biologia e inevitáveis mediações culturais através das quais se estabelece articulações.
Vários autores tentar conceituar Ecologia Política, criando relações entre o âmbito acadêmico interdisciplinar e os atores dos conflitos ambientais. Mas estes autores minimizam as análises do papel do Estado e as políticas relacionados ao meio ambiente.
Mas a Ecologia Política é a matriz das relações de poder social vigente desde o período colonial na América Latina, que é o predicado central para o acesso à terra e outros recursos naturais e seu controle. O Estado, por sua vez, é considerado por muitos autores, como o (re)organizador dos espaços territoriais, ficando com a capacidade de gerir a economia sobrepujando a ecologia em seu lugar.
A colonialidade da natureza
O autor apresenta considerações sobre a colonialidade da natureza latino americana:
O antropocentrismo sobre as origens da modernidade em paralelo com o eurocentrismo e destaca a natureza dos espaços coloniais no início da modernidade. O capitalismo e globalização a princípio tiveram início na Europa, mas se não fossem os recursos latinos, não teria havido sucesso nestes empreendimentos. Assim, os recursos naturais latinos são reduzidos a nada em detrimento do imperialismo, destruindo áreas inteiras por produções monoculturais, como ocorreu no Nordeste brasileiro e no Caribe com a produção de açúcar. Isso vem ocorrendo da mesma forma que no século XXI, hoje, com a soja transgênica e agrocombustíveis.
A colonialidade é um dos elementos constitutivos do padrão mundial de poder capitalista impondo uma classificação racial / étnica como padrão de poder.
A globalização contemporânea quer implantar um modelo único de modernidade, mas também trata das diferenças, tratando como políticas das diferenças, mas não são anti-modernas, são transmodernas, pois não tem soluções modernas para os conflitos e crises que provoca. (Boaventura de Sousa Santos – trata deste tema, quando fala do exercício do biopoder sobre a natureza).
Na América Latina coexistem desde a conquista ibérica uma diversidade de regimes de natureza com predomínio hegemônico e colonizados daqueles orientados a assegurar a governabilidade e produção de valores de troca, mas o ímpeto destruidor sobre isso também cresce.
Então as resistências ainda vivas se tornas entidades híbridas – que constroem alternativas para as soluções de dominações da economia política. O que se pode equiparar com os participantes do Programa M/C.



Referências:

ALIMONDA, Héctor. La colonialidad de la naturaleza. Una aproximación a la Ecología Política Latinoamericana. In: La Naturaleza colonizada. Ecología política y minería en América Latina. Disponível em: < http://www.democraciaglobal.org/adjuntos/article/440/La%20Naturaleza%20Colonizada.pdf> pp. 21-60. Buenos Aires: CLACSO, 2011.

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