Autoria: Christiane Kalb e Prof. Dra. Mariluci Carelli
Apresentação de Trabalho Oral no
I ENCONTRO
INTERNACIONAL INTERDISCIPLINAR EM PATRIMÔNIO CULTURAL – ENIPAC - Univille
jun / 2012
http://geipac.blogspot.com.br/2012/05/convite-i-enipac.html
http://www.youblisher.com/p/702313-Anais-do-ENIPAC/ (Anais do evento)
Trabalho resultante da pesquisa de Mestrado sob orientação da Prof. Mariluci N. Carelli.
RESUMO
A
cultura possui diversas vertentes passíveis de estudos científicos, sendo a
indústria, uma delas. Contudo, este artigo trata do estudo da indústria não só
pelo viés econômico, empresarial, o que normalmente é relacionado, mas pelo fim
cultural que a ele se dispõe. A indústria seria uma das formas de se qualificar
o patrimônio industrial como um todo, a partir de conceituações que se
realizarão neste artigo. Num segundo momento, apresenta-se um breve estudo
sobre o que ocorreu e o que vem ocorrendo no que concerne à preservação do
patrimônio industrial, bem como, cultural no Brasil, nomeadamente, assim como na
seara internacional. Assim, a noção de patrimônio material que remete a bens
culturais sólidos como igrejas e monumentos, perde importância nas políticas
culturais para a de patrimônio imaterial, feito da linguagem, da dança,
comportamento, modos de fazer, fabricar, todas essas entidades voláteis e
cambiantes. De modo que algumas mudanças que ocorreram dentro de alguns
processos de produção, onde o produto era primeiramente produzido dentro da
mesma fábrica, saindo direto para o consumo; é hoje, em sua maioria, produzido
por processos terceirizados, subdivididos em outras fábricas menores, tema que
também pode ser considerado parte do patrimônio cultural, que merece o seu
estudo mais aprofundado.
1 CONCEITUAÇÃO DE PATRIMÔNIO CULTURAL INDUSTRIAL
O patrimônio industrial é considerado um dos leques
do gigantesco mundo do patrimônio cultural. Interessante analisar a
epistemologia de algumas palavras, consideradas chaves, para o estudo em
comento.
“Patrimônio
é uma palavra de origem latina, patrimonium,
que se referia, entre os antigos romanos, tudo o que pertencia ao pai, pater ou pater famílias, pai de família” (FUNARI, 2009, p.10). As línguas
românticas[1]
usam tal termo para fazer referência aos monumentos herdados de gerações
passadas, vale lembrar que em todas estas expressões, há sempre uma referência
à “lembrança, moneo (em latim, “levar
a pensar”, presente tanto em patrimonium
como em monumentum), [...] os alemães
usam Denkmalpflege, ou seja, o
cuidado dos monumentos, daquilo que nos faz pensar, enquanto o inglês adotou heritage [...]” (FUNARI, 2009, p. 31),
que possui o mesmo significado das línguas românticas.
Vale
conceituar, conforme entende Claudia Carvalho, et al (2008, p. 36), que:
a noção de patrimônio envolve, em primeiro
lugar, um conjunto de posses que cumpre identificar como transmissíveis, em
seguida, um grupo humano, uma sociedade, capaz ou suscetível de reconhecê-las
como suas, de demonstrar a sua coerência e de organizar a sua recepção, e por
fim, um conjunto de valores, políticos no sentido mais geral do termo, que
permite articular os legados do passado à espera ou à configuração de um
futuro, como o objetivo de promover algumas mutações e, ao mesmo tempo, afirmar
uma continuidade.
Cultura,
por sua vez, de acordo com Geertz (2008, p. 15) é um termo “essencialmente
semiótico”. O autor acredita, assim como Max Weber, que o “homem é um animal
amarrado à teia de significado que ele mesmo teceu, assumo a cultura como sendo
estas teias e sua análise, portanto, não como uma ciência experimental em busca
de leis, mais como ciência interpretativa, a procura do significado” (Ibid).
Este
novo significado, do termo ou sentido de cultura na sociedade contemporânea
obteve sua “reascensão [...] como instrumento forte de luta ideológica ou, em
todo caso social, correspondeu aquilo cuja existência alguns insistem em negar:
o choque de culturas ou civilizações, embora envolto quando não provocado pelos
conflitos de interesse econômico.”( COELHO, 2008.
p.9)
Hoje,
de acordo com Teixeira Coelho (2008, p.52), a cultura é livre, móvel,
flutuante, não mais dispondo de nenhuma base sólida para se tornar importante.
Deste modo, o patrimônio cultural de uma sociedade tem sua importância
arraigada no sentido de questionar de onde viemos e para onde vamos, questões
estas precípuas para a sobrevivência da humanidade. “Pensar a identidade
cultural como o passado de uma etnia é uma maneira estética de demonstrar o
reconhecimento à ideia comunitária quando esta é desprovida de seu sentido
vivo” (JEUDY, 1990. p. 91).
O
patrimônio cultural de um país, Estado ou cidade “está constituido por todos
aquellos [...] manifestaciones tangibles o intangibles producidas por las
sociedades, resultado de un proceso histórico en donde la reproducción de las
ideas y del material se constituyen en factores que identifican y diferencian a
esse país o region” (FERNANDES, 2004. p. 102). O art. 216 da Constituição Federal de 1988
definiu o que constitui o patrimônio cultural brasileiro, na qual seriam: “os
bens de natureza material e imaterial que tomados individualmente ou em
conjunto são portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos
diferentes grupos formadores da sociedade brasileira” (PINTO, 2009. p. 68). Os
bens culturalmente considerados materiais são os que possuem “valor e
significado incorporados ao valor simbólico do bem tal como uma imagem, uma
igreja, uma cidade, uma serra, um jardim, um sítio arqueológico, etc” (MACHADO,
2009. p. 50). Já os
bens culturais imateriais são aqueles cujo
valor não está especificamente na sua materialidade, na sua matéria prima ou no
seu suporte, mas na evocação ou representação que sugerem, caracterizando-se
como ritos processuais. São exemplos [...] os saberes enraizados no cotidiano
das comunidades, as celebrações como rituais e festas que marcam a vivência
coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas
da vida social, as formas de expressão tais como as manifestações literárias,
musicais, plásticas, cênicas e lúdicas, os lugares tais como os mercados,
feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e reproduzem
práticas culturais coletivas (Ibid).
A
questão de um bem cultural ser ou não imaterial, ou seja, ser caracterizado por
uma matéria é considerada controversa, trazendo então uma estabilidade maior no
que concerne à expressão dita ‘intangível’,
i.e. que “remete ao transitório, fugaz, que não se materializa em produtos
duráveis. Trata-se, portanto, de uma prática ritual, cujo valor simbólico só
tem sentido num determinado contexto. [...] esses valores precisam ser aceitos
e constantemente reiterados pela sociedade” (Ibid, p. 68).
Jeudy
(1990, p. 48), por sua vez analisa os problemas relativos à gestão e
preservação de patrimônios culturais, em seu livro Memórias do Social, que tomou conta do mundo ocidental, a grande
onda retro, que vem valorizando a preservação cultural dos objetos e costumes
no ocidente, não sendo mais suficiente somente o monumento, agora é imperioso
também preservar os traços de um passado recente, tudo que se relacione com a
memória coletiva, ou à identidade social. Primeiramente, “havia castelos,
igrejas, obras de arte..., e, doravante, há também prédios industriais,
fundições, curtumes, cafés e lavatórios e uma quantidade infinita de objetos
artesanais, industriais e agrícolas” (JEUDY, 1990, p. 7). Os modos de vida, as
formas de pensar, de se comunicar vêm complementar as novas representações
sociais do patrimônio cultural. O patrimônio imaterial no Brasil, por si só, já
pode ser considerado como possuidor de um ato de reconhecimento, por força da
Constituição de 1988.
Teixeira
Coelho, com a citação do art. 13 da Declaração Universal da UNESCO, de 2002
sobre diversidade cultural diz que: “A identidade de todo indivíduo é dinâmica”
(COELHO, 2008, p.76); ou seja, o único modo de preservar algo dinâmico – pois
não se sabe para onde vai este patrimônio imaterial, em razão de sua
intangibilidade – é apoiar e preservar ao acaso todas as formas de diversidade,
assim, o rótulo de patrimônio histórico e cultural é aquela que expede o
‘certificado de origem e de validade’ do produto cultural. O monumento
histórico, por sua vez, vale ressaltar que é uma obra que possui valor
histórico, tendo sido feita com intenções memoriais ou não, assim, os
monumentos intencionais são os que possuem vontade do seu autor de se
perpetuarem e os involuntários são os que não foram construídos para tal fim,
mais que representam algo em um dado momento, assim conclui Pauleto (2006, p.
209). Deste modo, a relevância dos estudos do patrimônio cultural material e/ou
imaterial (uma vez que ambos não se dissociam, assim inseparáveis) atinge não
só os bens culturais de ênfase arquitetônica ou escultural, abrangidos pela
significância da beleza, entretanto se acresce a estes, os bens do patrimônio
industrial.
O
entendimento de que determinadas áreas industriais possuem valor histórico,
artístico/estético e principalmente cultural para determinada sociedade e por
óbvio, para o mundo hoje globalizado, pressupõe análises mais apuradas da
integralidade destas áreas, enquanto símbolo de uma localidade, bem como a sua
interação social, seu entorno, suas memórias, que neste instante torna-se
cogente de maiores explicações.
2 O PASSADO E O PRESENTE DOS PROCESSOS DE PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO INDUSTRIAL
O melhor conceito que se entende por preservação[2] são “todos os esforços e
procedimentos necessários para garantir a um monumento histórico, o tanto
quanto possível, a sua perenidade e transmissão para o futuro” (KUHL apud LIMA,
2006, p. 206), ou seja, as intervenções – manutenção, conservação e
restauração, formas de tutela – tombamento e políticas de proteção -
perpetuação da memória, educação patrimonial (KUHL, 2008, p. 73) que asseguram
o direito à memória e à história, de forma a suprimir a necessidade humana e
social de preservar os testemunhos do fazer humano, atuais e pretéritos,
existam ou não mais no presente e no futuro, conforme citação de Kühl (2008, p.
282).
A definição de preservação hoje utilizada não mais
se refere apenas às obras de arte ou monumentos vultuosos, como ocorria
antigamente, tanto é verdade que a importante Carta de Veneza, de 1964, define
o significado dos monumentos que merecem ser preservados, de acordo com
entendimento cultural, ou seja:
art.1º - A
noção de monumento histórico compreende a criação arquitetônica isolada, bem
como o sítio urbano ou rural que dá testemunho de uma civilização particular,
de uma evolução significante ou de um acontecimento histórico, [além das] obras
modestas que tenham adquirido, com o tempo, uma significação cultural (FUNARI,
2005, p. 29).
Portanto, não se considera qualquer bem como um
patrimônio histórico e cultural, somente o que possua uma importância relevante
na história da humanidade ou de determinada parcela da sociedade, que configure
elementos de atuação na memória e identidade deste povo, contudo ao mesmo tempo
não podemos generalizar e tudo querer manter intacto. Sabemos que a ação do
tempo existe e é categórica quando atingem os objetos de patrimônio material.
Choay (2001, p. 11) mostra que, durante o século XIX
e mesmo posteriormente, o monumento histórico era considerado “objeto de saber”
ou “obra de arte dirigida”, ou seja, era entendido como transmissor da
possibilidade de conhecimento ou concebido para tocar a sensibilidade humana.
Percebe-se, desta forma, que com o passar das décadas, os monumentos históricos
tiveram a sua acuidade voltada ao saber histórico, voltando-se à memória dos
acontecimentos que o sucederam. Os motivos que levam a crer tal hipótese são as
novas tecnologias na fotografia e a internet.
Quanto às formas de restauração destes monumentos ditos
históricos e consequentemente tombados ou registrados pelos órgãos competentes,
cabe salientar da necessidade de se somar à restauração do bem em si, aos seus
acessórios, como ocorre, por exemplo, em fábricas e seus equipamentos de
trabalho, como ferramentas, fornos, materiais diversos que tenham relação
direta ou indireta à memória do trabalho.
Sobre isso, Kühl (2008, p. 269) complementa que:
As
intervenções em bens culturais tem de ser feitas com discernimento, pois a
responsabilidade cultural, e, portanto, social, envolvida em projetos de
transformação de áreas urbanas, conjuntos arquitetônicos e edifícios de
interesse histórico é enorme. São sempre testemunhos únicos, não-repetíveis,
que tem de ser analisados com a máxima diligência, fundamentando as propostas
em rigorosos critérios.
A Carta de Veneza de 1964 (FUNARI, 2005) coaduna com
tal entendimento quando prediz as seguintes citações: “O propósito do restauro
é de conservar e de revelar os valores formais e históricos dos documentos,
isso se fundamenta sobre o respeito da substância antiga e da documentação
autêntica [...]”. E ainda: “nenhuma restauração poderá somente revelar o estado
atual das matérias originais, a intervenção se faz então do ponto de vista
crítico, a busca do equilíbrio atualmente realizável que seja o mais fiel à
unidade original”, porém, de tal forma que não se restabelece a unidade
perdida, mais que considere os traços originais e a passagem real do tempo
(envelhecimento natural e/ou sujeira) na obra ou monumento, surgindo daí uma
nova identidade, conforme o pensamento de Kühl (2008, p. 12) que vai ao
encontro de nossa crítica aos “restauradores de plantão”.
Até porque, conforme esclarece, Pauleto citando Kühl
(2006, p. 222), o processo de restauração é um ato histórico-crítico, tratando
não apenas de “pele de um órgão de primordial importância, mais também de
local-testemunho da passagem da história, que não pode ser dissociado do
restauro arquitetônico como um todo [...] passível de ser mudado ao
bel-prazer”. Desta forma, Pauleto (2006, p. 408) continua: uma vez que tais
edifícios e obras foram construídos com métodos e matérias diferentes das
atuais, deve-se considerar que tais bens são vinculados ao tempo histórico e o
seu transcurso ao longo dele, contendo parte da história e da memória deste
determinado período, assim os projetos de restauro devem ser fundamentados
nestes profundos estudos de suas características não só arquitetônicas, mas
realmente históricas-memoriais, para que não se cometa um falso histórico ou um
falso artístico.
Este processo de alargamento de entendimento do que
se faz cogente proteger e consequentemente, quando necessário restaurar, Choay
(2001, p.11) considera que o patrimônio industrial passou a considerar não
apenas as grandes obras isoladas de qualidade excepcional, mas centros urbanos
ou rurais inteiros dando-se maior importância ao tecido urbano e à “arquitetura
vernacular”, passando a abranger também construções recentes, como aquelas
incluídas ao patrimônio industrial. Assim:
A cultura do trabalho, os padrões éticos de
sobrevivência, a consciência dos quadros de produção e da sua inserção no
mercado, a apreensão dos modelos tecnológicos dominantes, as formas de
mobilização das pessoas e dos espaços, eis alguns pólos para esse diálogo, que se
podem traduzir tanto em intervenções letivas breves e monodisciplinares, como
em projetos de escola mais abrangentes de natureza inter e transdisciplinar
(ALVES, 2004, p.252).
A
memória do patrimônio industrial, por sua vez também é considerada um bem intangível
pelo Decreto antes mencionado, na qual abarca tudo que se refere ao saber
fabricar, desde a constituição da fábrica até o seu produto final, ou seja,
considera o engenho humano uma habilidade e uma representação a ser preservada
na memória coletiva, mesmo que de forma apenas a ser registrada e não mantida,
em razão da notória tecnologia hoje desenvolvida e aplicada às indústrias e
invenções, contudo, poucas são as referências científicas que tratam do
assunto.
Luiz
Fernando Dias Duartes (2009, p. 306)[3]
complementa dizendo que:
A memória coletiva é a memória da sociedade,
da totalidade significativa em que se inscrevem e transcorrem as micromemórias
pessoais, elos de uma cadeia maior. É esse caráter “encompassador” da memória
coletiva que reveste de sacralidade as rememorações míticas e as reencenações
rituais, frequentemente associadas à identidade tribal ou clânica (Bateson,
1967), apanágio de um gênero, de uma classe de idade, de uma fraternidade[4].
Desta
forma, ainda se está longe do ideal esperado pelos profissionais da área do
patrimônio cultural, embora entende-se que com a união das linhas de estudos,
como “da História, do Direito, da Antropologia, da Arqueologia, da Geografia e
da Ecologia, nos possibilitaram explicitar as articulações entre os bens
culturais e naturais das mais distintas comunidade, suas histórias, memórias,
identidades e as maneiras dessa população se relacionar com o meio” (FUNARI.
2009, p. 11).
Até
porque, o patrimônio intangível não se restringe aos atos de folclore e/ou de
cultura popular, como em certas ocasiões é conceituado equivocadamente, porém,
a UNESCO o “entende como conhecimentos e modos de vida tradicionais”[5],
conceito bastante subjetivo e generalista se comparado com os demais já
apresentados, na qual principalmente entendem que devem ser preservados para a
humanidade.
O
patrimônio industrial, então, vem sendo reconhecido por seu valor cultural nos
espaços onde antes apenas era considerado pela sua importância
histórica-artística, mais principalmente no campo do restauro destes bens,
através de Cesare Brandi[6],
autor italiano-romano, diversas vezes citado pela renomada professora Beatriz
M. Kühl, em suas obras.
Embora
desde o final do século XVIII, se observa as principais mudanças em seu entorno
e a necessidade de se resguardar os bens culturais relacionados ao patrimônio
industrial, a partir das inovações na utilização da energia elétrica,
fotografia e internet, contudo o tema
especificamente de proteção ao patrimônio industrial iniciou-se na Inglaterra,
próximo ao ano de 1950, quando surgiu a expressão ‘arqueologia industrial’,
inicialmente com os estudos do professor Donald Dudley, da Universidade de
Birmingham, na Inglaterra, “embora já em 1896 o termo arqueologia industrial
houvesse sido usado em Portugal, em artigo de Francisco de Souza Viterbo, foram
[então] os britânicos que ganharam notoriedade como desbravadores das questões
relativas ao patrimônio industrial” (CAMPAGNOL, 2008, p. 421).
Em
1930, por sua vez, conforme denota Ruy Gama (1979 apud CAMPAGNOL, 2008, p. 412)
“talvez motivado pelo impacto do grande desenvolvimento da técnica, [após 2ª
Guerra], nota-se um crescente interesse pela história da técnica e da ciência,
o que levaria com o fim da II Guerra, ao campo de estudo abordado pela
arqueologia industrial”.
A
partir destas iniciativas veio “ganhando maior vigor e atraindo a atenção
pública a partir dos anos de 1960, quando importantes testemunhos da
arquitetura industrial foram demolidos. O movimento se consolidou [...]
realizando inventários sistemáticos de sua herança do processo de
industrialização” (KUHL, 2006). O pioneirismo britânico em relação ao
patrimônio industrial também se motivou principalmente pela publicação do
período organizado por Kenneth Hudson, na década de 60, chamado de “Journal of
industrial archaelogy” (CAMPAGNOL, 2008, p.414), conhecido mais tarde somente
por “Industrial Archaeology”. Assim, “o pioneirismo britânico na grande
industrialização iniciada séculos atrás, converteu-se, portanto, em análogo
pioneirismo com relação à conservação dos testemunhos dessa indústria”
(RUFINONI, 2004, p. 117).
Vale
lembrar que no Brasil, desde a década de 30, o assunto já vinha se
consolidando, principalmente após a Revolução de 30. Um dos exemplos clássicos
dos primeiros atos de preservação brasileiro foi o Decreto de 1933 que elevou a
cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, à categoria de Monumento nacional, além
disso, neste mesmo ínterim, houve a criação do SPHAN – Serviço do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional, sob base do projeto de lei de Mário de Andrade
e do Decreto-Lei n. 25/37 que trata da preservação dos bens de interesse
histórico, artístico ou etnográfico e paisagístico, conforme bem expôs Kühl
(2008, p.103).
Aos
poucos, então, o conceito e entendimento de patrimônio industrial e de certa
forma o reconhecimento da arqueologia industrial como disciplina a ser estudada
foram sendo incorporadas às noções de valorização dentro do conceito amplo e
genérico de patrimônio histórico e, assim, “estes passaram a ser considerados
um bem cultural que devia ter reconhecimento jurídico, uma estrutura
administrativa e uma política nacional e regional de proteção” (SOLER, 1992,
p.15 apud CAMPAGNOL, 2008, p. 414).
Além
das iniciativas vindas de diversas nações, Campagnon (2008, p. 417) ainda
lembra que houve em 1973, a 1ª Conferência Internacional para a preservação do
patrimônio industrial, realizada na Grã-Bretanha. Em sua 3ª edição foi
oficialmente criado o “TICCIH – The
Internacional Comiittee for the Conservation of the Industrial Heritage,
com a finalidade de promover a cooperação internacional” no que se refere ao patrimônio industrial,
no campo da preservação, conservação, localização, pesquisa, documentação,
valorização e formação em todos os aspectos.
Na
XII Conferência do TICCIH realizada em Nizhny Tagil, (Rússia - 2003), foi
aprovada a Carta de Nizhny Tagil, que traz conceito bastante abrangente de
patrimônio industrial, na qual integra a fala de Thiesen:
os vestígios da cultura industrial que
possuem valor histórico, tecnológico, social, arquitetônico ou científico.
Estes vestígios englobam edifícios e maquinaria, oficinas, fábricas, minas e
locais de processamento e de refinação, entrepostos e armazéns, centros de
produção, transmissão e utilização de energia, meios de transporte e todas as
suas estruturas e infra-estruturas, assim como os locais onde se desenvolveram
atividades sociais relacionadas com a indústria, tais como habitações, locais
de culto ou de educação (CARTA NIZHNY TAGIL, 2003).
Os
espaços industriais, que normalmente ocupavam vastas áreas, geralmente próximas
dos centros das cidades, foram aos poucos sendo desocupados, e
consequentemente, demolidos, pela falta de análises mais apurada de sua
significância, e pelo desinteresse destes complexos sem produção para novas
instalações industriais. Entretanto, “o gradativo entendimento dos
remanescentes das atividades produtivas como documento histórico surge atrelado
à [...] uma herança cultural, [com] análises mais precisas desses artefatos,
possibilitando a evidenciação de atributos [...] até então negligenciados”
(RUFINONI, 2004, p.116).
Portanto,
conforme entende Leonardo Mello e Silva (2006):
Quando pensamos imediatamente em patrimônio
industrial pensamos logo em prédios vetustos, máquinas ultrapassadas sem valor
comercial, e relíquias materiais e arquitetônicas, algumas com valor artístico
de época. Um aspecto menos convencional, mas nem por isso menos evidente, é a
possibilidade de, através desse verdadeiro arquivo a céu aberto (se não
pensarmos aqui nos achados arqueológicos), estabelecer uma conexão com o tipo
de industrialização de um período histórico e do modo de vida da classe
trabalhadora correspondente a ele.
O
valor histórico-cultural dos estudos destes sítios (locais de fábricas ou
indústrias) é representado pela sua importância na esfera mundial, em razão de
suas consequências históricas e sociais nos registros do cotidiano de muitos
operários e operárias, bem como dos empresários que detinham um mesmo
sentimento, além é claro de ser parte integrante da identidade do povo e da
herança cultural. Assim, “as investigações históricas e sociológicas no campo
possuem, porém, longa genealogia, através de estudos de diversos autores sobre
história das ciências, da técnica, econômica e social, voltados aos processos de
industrialização, produção de energia e meios de transporte” (KUHL, 2006).
A
partir da década de 60, o interesse pelo estudo e conservação de edifícios
industriais ganha amplitude, pois o Ancient
Monuments Board (GAZANEO, 1983, p.6 apud RUFINONI, 2004, p. 116) decide
reconhecer a tipologia industrial ser
digna de proteção, da mesma forma que outros sítios monumentais e arqueológicos
tradicionais. Neste período definiu-se o termo de monumento industrial como
sendo “qualquer edifício ou outra estrutura, em especial do período da
Revolução Industrial, que, sozinho ou associado a equipamentos, ilustra o
início e desenvolvimento de processos industriais e técnicos, incluindo meios
de comunicação” (RAISTRICK, 1973, p. 2 apud KUHL, 2008, p. 39).
A
ampliação dos estudos sobre o patrimônio industrial e a sua abrangência
evidencia as primeiras conceituações a respeito, conforme bem propôs Kenneth
Hudson sobre a imprecisão do termo ´Revolução Industrial´, que traz diversas
discussões sobre delimitação de tempo e local, vez que além da Grã-Bretanha, o
processo de industrialização também ocorreu em outros diversos países, porém em
momentos e locais diferentes, inviabilizando a utilização deste conceito
genérico e tão abrangente, chamado de Revolução, apresentando-se de uma forma
melhor e assim mundialmente conhecida pelo termo de industrialização.
Hudson
ainda cita a restrição quanto a expressão ´edifício ou estrutura permanente´,
na qual designa um determinado monumento industrial, o que estaria excluindo
por completo as ruínas, vestígios arqueológicos ou artefatos móveis,
considerados, então como provisórios ou suscetíveis à destruição natural. O
autor entende pela aplicação de um termo menos rígido e excludente, incluindo
por sorte quaisquer indústrias do passado e seus remanescentes, no estado que
estiver: “Industrial Archaelogy, if a personal definition may be allowed, is
the organised, disciplined study of the phisycal remains of yesterday´s
industries, and it would be a great pity and a great handicap if its boundaries
were too rigid”[7].
Deste
modo, interessa a arqueologia industrial não só os remanescentes a partir da
Revolução Industrial, mais desde os primeiros vestígios de atividades
vinculadas ao trabalho, não importando a época. Assim, a delimitação a partir
da Revolução seria um momento determinado na história da Grã-Bretanha e não uma
época definida e regular da História Mundial. Porém, como bem se sabe a maior
parte dos remanescentes físicos de fábricas ou atividades relacionadas a elas
são datados dos últimos dois séculos. E os vestígios físicos (processos de
produção, espaços de trabalho, tipo de energia utilizada) da industrialização
transcendem à condição histórica, assumindo uma importância cultural muito mais
relevante, integrando ao patrimônio cultural industrial desta localidade.
De
igual modo ocorre em nosso país, onde “muitos desses patrimônios possuem
importante valor arquitetônico, representando diversas fases do desenvolvimento
industrial brasileiro, e também profundas relações históricas, culturais e
afetivas com as comunidades que os circundam” (FONTES, 2006). E vale lembrar
ainda que “a restauração de bens culturais, [...] é um campo disciplinar que
começa a adquirir autonomia há pelo menos um século, com dois séculos de
experiências práticas e formulações teóricas sistemáticas já acumuladas” (KUHL,
2006, p.3), desta forma “não se trata de conservar tudo, nem, tampouco, de
demolir ou transformar radicalmente tudo, [...] é necessário fazer escolhas
conscientes, baseadas em conhecimento aprofundado, para que os bens mais
significativos possam ser preservados e valorizados” (Ibid), assim Souza (2010, p.143) coaduna com a entendimento de
Kühl quando discorre que:
é necessário reconhecer que exemplares de
todas as épocas e as várias fases de produção humana são merecedores de
estudos. Isso não quer dizer que devemos preservar todo e qualquer testemunho
do passado, por isso a importância desses estudos e análises, para que se possa
reconhecer e selecionar os exemplares dignos de serem preservados por seus
valores históricos, estéticos, afetivos ou memoriais.
Além
disso, conforme bem expõe Kühl (2008, p. 32), a restauração não tem como
princípio o retorno ao status quo ante, nem mesmo a um estágio
anterior à história do monumento em si, ou imitá-lo de estilos ou arquiteturas
de tal ou qual época, seus objetivos principais são a crítica-histórica, o
projeto e a criatividade do restaurador frente ao monumento, considerando os
seus aspectos materiais, formais e documentais. Da mesma maneira, pode-se
tratar das memórias relacionadas às fábricas, ou seja, a transmissão do
saber-fazer, que permite transcender as formas usuais de produção industrial,
que envolve os operários e operárias com as máquinas, para um verdadeiro
conceito de cultura. Envolvendo não somente os agentes diretos (empregados e
empregadores) mais a sociedade em torno das fábricas, formando o que se chama
de memória coletiva do patrimônio industrial.
Os
núcleos fabris, de quaisquer que sejam os locais de trabalho, são considerados
“lugares de memória”, conforme explica Pierre Nora (1984), através da relação
entre memória e história decorrente de uma ruptura de equilíbrio identificada
como “aceleração da história”. O interesse pelos lugares de memória está
intimamente ligado a certos momentos na história, mas que contenham um
sentimento de continuidade, pois os lugares constituídos de memória são ao
mesmo tempo materiais, simbólicos e
funcionais. Assim, muitos lugares de memória são apenas lembrados pelos
registros fotográficos que estão em alguma fundação, instituto, num livro ou
até mesmo num museu, ou então em suas próprias ruínas. “Porque se o lugar não
existe mais, ele vai ficar refletido somente na memória daqueles que ali
habitaram ou nos registros fotográficos e imagéticos daquele lugar”(CAMPAGNOL,
2008, p.25).
Pois,
além do valor referencial histórico e estético que os edifícios possuem, eles
também denotam valores afetivos e memoriais, vinculados ao cotidiano dos
habitantes que os vivenciam na paisagem, conhecem suas histórias,
identificam-se com sua trajetória no tempo. Este envolvimento com o patrimônio
pode e deve ser explorado em sua preservação e evidencia, inclusive, a
legitimidade social do ato (KUHL, 2002, p.36). Para se manter vivo, então, o
patrimônio industrial intangível, ou seja, mais especificamente as memórias dos
trabalhadores nas fábricas e os seus depoimentos ou seus descendentes que o
vivenciaram deve ser preservada por meio dos registros/inventários, “não só por
razões de preservacionismo, mas também porque eles podem ser úteis para
resolver problemas do presente” (SILVA, 2006), quiçá do futuro.
Alves
(2004, p. 254) ainda completa o pensamento dizendo que: “o patrimônio
industrial é a expressão da tecnologia usada num período e num espaço
circunscritos, com base em oficinas e fábricas, enquanto soluções
organizacionais construídas para responderem a situações imediatistas de
resposta ao mercado”.
Nesse
sentido, acompanhar as transformações tecnológicas dentro de uma fábrica e
também de seu ambiente físico é, realmente, seguir o caminho de uma determinada
cultura material, portanto preservar este patrimônio é uma tarefa cogente dos
profissionais de patrimônio industrial, estudiosos e acadêmicos, vez que a
destruição do bem imóvel é irreversível. A identidade, por sua vez, tornou-se
também patrimônio industrial de relevante interesse de muitos autores, na qual
instigou e ainda instiga o estudo mais aprofundado do tema, devendo o restauro
e a preservação, conforme completa Lima (2006, p. 220) “seguir princípios
gerais por meio da unidade de metodologia e conceitos consistentes para as
várias formas de manifestação artística, mesmo na diversidade dos meios a serem
empregados para se enfrentar os problemas particulares de cada obra”, por uma
equipe interdisciplinar, formada precipuamente de arquitetos, arqueólogos,
engenheiros, bem como historiadores.
Sem
pretender nos aprofundar nas questões aqui descritas, pode-se “indagar se a
gênese dos questionamentos que reavaliam o conceito de patrimônio não reside na
própria reavaliação de valores que sucede grandes conflitos mundiais” (Ibid), a partir dos abalos conseguintes
à Segunda Guerra Mundial e a grande dificuldade na reconstrução e
reestruturação de diversos países, ampliou-se, sobremaneira o conceito de
patrimônio cultural e principalmente os conceitos de preservação e restauração.
Por
outro lado, os bens culturais relacionados à indústria e ao parque fabril em si
não são os únicos que vem se alterando com o decorrer das consequências da
modernidade e pós-modernidade, mais da mesma forma:
muitos dos termos industriais utilizados na
literatura concernente ao tema também mudam com o tempo. No século XIX,
engenhos tornaram-se fábricas, ferrarias tornaram-se fundições com alto-fornos,
e negócios de construção de barcos e navios tornaram-se estaleiros. No século
XX, para novas indústrias, alguns aspectos dessa mudança podem ser literalmente
vistos como complexos. O petróleo começou a ser transformado em fábricas que se
tornaram refinarias. Em seguida, muitas fábricas químicas e refinarias de
petróleo progrediram para se tornar complexos petroquímicos. Centrais elétricas
às vezes transferiram-se da posição de funcionamento junto a fábricas ou a
linhas ferroviárias para se tornar localmente associadas com energia nuclear (CORREIA,
2005, p.44).
Cabe
lembrar, portanto que muitas indústrias, por causa da inovação da tecnologia,
substituíram os equipamentos antigos e arcaicos pelos atualizados, descartando
indevidamente estes equipamentos que fazem parte da memória industrial local,
fato que vem ocorrendo desde a passagem da energia humana, animal e/ou
hidráulica pela energia do vapor e enfim, pela energia elétrica.
A
Carta de Campinas dá também às pequenas indústrias proteção, e aos seus bens
culturais, como os fatores de produção que não possuem um grau de “beleza”, nos
termos arquitetônicos, gerando por fim outra frustração aos profissionais da
área de proteção deste patrimônio, vez que tais edificações não serão tão
protegidas quanto aqueles que são símbolos da riqueza, ou seja, persistirá na memória
industrial a história de uma elite que não representa os artesãos, oficiais e
seus fazeres.
Assim,
“as raras edificações utilitárias conservadas terão destinação totalmente
diversa da original e do meio em que surgiram, descaracterizadas e desvirtuadas”
(Ibid). A Carta recomenda ainda que
novas funções sociais para a conservação do patrimônio desde que compatíveis
com as suas especificidades, devem ser assumidas por estes edifícios, de modo a
não sobrepor a necessidade de um novo uso à preservação em si, motivo inicial
da intervenção. Sendo, então, “o juízo histórico-crítico, a partir da relação
dialética entre a historicidade e a ´artisticidade´ do bem, que orientará a
adaptação ao novo uso, sua harmonização com o entorno e os projetos integradores”
(RUFINONI, 2004, p. 164).
CONSIDERAÇÕES
Tal tema é bastante
complexo e multidisciplinar, e deve sempre tal fato ser levado em consideração
no que concerne a restauração, vez que após o reconhecimento de um bem pela sua
significância cultural, a preservação é medida precípua para “as próximas
gerações, para que continuem a ser documentos fidedignos e efetivos suportes do
conhecimento e da memória coletiva”(Ibid,
p. 58)
De tal modo que a
identificação dos bens considerados culturais sob a ótica industrial carece de
um estudo aprofundado do próprio processo de industrialização, das áreas
envolvidas e as suas estruturas físicas, bem como do valor simbólico destas
construções para uma determinada sociedade para que possam ser preservados de
acordo com sua especificidade.
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Acesso em: maio 2012. Jul., 2003.
[1] “Também
conhecidas como línguas latinas, originaram do latim, hoje são representadas
principalmente pelas seguintes línguas: o português, o espanhol, o italiano, o
francês e o romeno”. De acordo com OLIVEIRA, Ernesto Ferreira de. As línguas
românticas. Akrópolis. Umuarama,
v.9, n.1, 4 p. jan/mar, 2001. p. 1.
[2] A autora
trata da “confusão” dos termos: recuperação, reestruturação, reutilização,
reciclagem dos bens arquitetônicos com o fulcro na preservação, bem como as
razões prática culturais, turísticas, econômicas e de especulação. KUHL,
Beatriz Mugayar. Preservação do
patrimônio arquitetônico da industrialização: problemas teóricos de
restauro. Cotia/SP: Atelie Editorial, 2008.
[3] Cita o depoimento de Rodrigo Melo Franco de
Andrade ao Conselho Federal de Cultura. DUARTES, Luiz Fernando Dias. Memória e reflexividade na cultura
ocidental. In: ABREU, Regina e
CHAGAS, Mario (org), 2009, p. 306.
[4] ou quem
sabe, de uma fábrica.
[5] Podemos
exemplificar a cultura indígena, ou de pescadores ou o modo de vida do
trabalhador, mas ainda bastante genérico. FONSECA, Maria Cecília Londres. Para
além da pedra e cal..., In: ABREU,
Regina e CHAGAS, Mario (org), Memória e
patrimônio: ensaios contemporâneos. Rio de Janeiro: DP&A, 2003, p. 72.
[6] A autora
entende que as intervenções que se façam nos bens culturais industriais devem
ser feitos na matéria da obra de arte e não na imagem como concebida pelo
artista, ou seja, tentando voltar ao status
quo do bem, antes de sua deterioração. KUHL, Beatriz Mugayar, 2008, p.72.
[7] “Arqueologia
Industrial, se uma pessoa pode definir é o estudo organizado e disciplinado dos
remanescentes físicos das indústrias do passado, e seria uma pena e um ótimo
obstáculo se as fronteiras (regras) fossem muito rígidas” – tradução livre
realizada por Christiane H. Kalb. HUDSON, Kenneth. Industrial
archaeology: an introduction. London: Baker, 1966. p. 21.
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