O Porquê disso tudo...

Um dia ouvi de uma professora que existe um campo verde que representa o conhecimento. Nesse campo existem diversas árvores, cada uma poderíamos chamar de grandes áreas do conhecimento. "Dentro" dessas árvores há galhos e ramos que nos levam a pequenas folhas. Eu me aprofundei em algumas dessas folhas de algumas árvores do conhecimento, por isso quero dividir esses estudos com quem tiver interesse em conhecer alguma "nova" ou "velha" folha. Sem intenção de gerar a priori novos frutos, porém apenas semear, agora sim, ideias e esclarecimentos.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

IMPORTANTE SOCIOECONOMICAMENTE, GERADOR DE RESÍDUOS, SALVADOR DE VIDAS E POLUIDOR AMBIENTAL: A DIALÉTICA DO PLÁSTICO



  Esse artigo foi criado no início de 2013, quando eu ainda estava estudando o "lixo" hospitalar, principalmente enfocando nos resíduos plásticos. Durante esse estudo comprei dois livros norte-americanos, sem tradução para o português ainda, chamados: FREINKEL, Susan. Plastic: a toxic love story. EUA-Minnesota: Graywolf Press, 2010. 324 p.;  e BIJKER, Wiebe E. Of bicycles, bakelites, and bulbs: toward a theory of sociotechnical change. London: MIT Press, 1997, que foram muito esclarecedores. Claro que apesar do livro de Bijker tratar de diversas formas plásticas, eu me detive na parte que falava especificamente da "bakelite", origem do plástico no início do século XX.

Christiane Kalb

Resumo
O presente artigo tem o condão de discutir a importância do material plástico, sob uma perspectiva dialética. Dialética, pois a partir de certo método de diálogo entre as temáticas percebe-se a contraposição e contradição das ideias que leva a outras ideias. O plástico tem sido considerado importante na seara social e econômica, porém também é um grande gerador de resíduos sólidos, portanto, poluidor ambienta. Por outro lado, salva vidas por substituir partes de nosso corpo, ao mesmo tempo que pode nos envenenar. A partir dessa discussão, conclui-se pela sua ampla aplicação nos mais diversos setores empresariais e residenciais, sendo praticamente impossível convivermos sem o seu contato diário.

Palavras Chaves: Plástico. Meio Ambiente. Lixo Hospitalar. Recursos naturais.


Os seres humanos podem desaparecer
da face da terra amanhã, mas muitos do
plástico que fizemos vai durar séculos.
(Freinkel, 2010, p. 9)

1. Introdução
O plástico é utilizado cada dia mais em todos os setores empresariais, como os de utilidades domésticas, brinquedos, construção civil, aviação, saúde, farmácia, eletroeletrônicos e calçados, e a sua variedade em relação à quantidade de peças e possibilidades de matérias primas o torna quase insuperável.
Foi Leo Hendrik Baekeland, químico e físico belga laureado em 4 universidades belgas, que chegou nos EUA no começo do século XX, e criou um papel fotográfico chamado Velox, sensível à luz artificial, que vendeu para Kodak, conforme Donato (1977: 40) e esse mesmo inventor que criou a baquelite, primeiro plástico real e sintético (BIJKER, 1997:1) que veio substituir materiais naturais e seminaturais, como marfim e celluloid e desenvolveu muitas das aplicações que levaram a sociedade a era dos plásticos.
Bijker (1997:6) autor da obra Of bicycles, bakelites and bulbs[1] discute, a partir do Capítulo 3, especificamente sobre a criação da baquelite, aspectos relevantes sobre a forma de construção social da tecnologia do plástico. E permeia nesse sentido, dizendo que (Ibidem:101) a invenção do primeiro plástico verdadeiramente sintético por Leo Henrick Arthur Baekeland em 1907, durou cerca de quarenta anos, num período durante o qual numerosos químicos falhou.
Mesmo no caso de um "inventor individual," como é o caso de Baekeland uma análise construtivista social, produz resultados frutíferos. Como podemos compreender a construção social da baquelite, apesar das óbvias conquistas individuais de seu inventor, o que se questiona Bijker (1997:110). Afinal a história de uso humano de materiais plásticos é tão longa como a história da humanidade. Os egípcios usavam a resina, um plástico de origem vegetal, para envernizar seus sarcófagos, e os gregos fizeram joias de âmbar, uma resina fóssil amarelada.
Quando o inventor Baekeland finalmente estava próximo do ideal plástico, escreveu em seu diário de trabalho:

Considero estes dias de trabalho muito bem sucedido, que me colocou no caminho de vários produtos novos e interessantes que podem ter uma ampla aplicação como plásticos e vernizes. Tenho um pedido de patente para uma substância que chamarei bakelite. […] Bakelite como material de moldagem: você vai compreender facilmente que faz uma substância muito superior ao âmbar para hastes de tubos e artigos semelhantes. Ela não é tão flexível como a celulóide, mas é mais durável, ao calor, não tem cheiro, não pega fogo e ao mesmo tempo é menos caro (Baekeland, 1909a:157 apud Bijker, 1997:146 e 162).

Freinkel (2010) diz que é praticamente impossível hoje vivermos sem o plástico em nosso cotidiano, ou seja, somente com “materiais não plásticos - madeira, lã, algodão, vidro, pedra, metal, alimentos. [...] Eu aprecio o plástico por fazer minha vida mais fácil e mais conveniente, mas eu não sabia que não poderia facilmente viver sem ele”. Em sua obra Plastic: a true love story faz um discussão interessante sobre diversas questões relacionadas ao plástico, o que merece um estudo mais aprofundado.


2. O plástico e a sua história

Freinkel (2010:5) explica algumas questões sobre a estrutura e as propriedades, bem como, a história do plástico. Portanto o plástico “é um polímero: [por] sua resistência, durabilidade, clareza, flexibilidade, elasticidade. [...] É comum dizer que vivemos na era dos plásticos”.
A maior parte dos autores (Ibidem:6-7) fixa a data de 1907, como sendo o ano do descobrimento do plástico, quando o imigrante belga Leo Baekeland na verdade inventou a baquelite, primeiro polímero totalmente sintético, feito inteiramente de moléculas que não poderiam ser encontrados na natureza.
Os plásticos são uma pequena parte da indústria do petróleo, o que representa uma pequena fração dos combustíveis fósseis que consumimos. Em 1960, o americano médio consumia cerca de trinta quilos de produtos plásticos. Hoje, nós consumimos mais de trezentos quilos de plásticos por ano, gerando mais de três centenas de bilhões de dólares em vendas.
A criação de baquelite, para Freinkel (2010:23 e 53) marcou uma mudança no desenvolvimento de novos plásticos. Daí em diante, os cientistas deixaram de procurar materiais que poderiam imitar a natureza, em vez disso, eles procuraram reorganizar a natureza em maneiras novas e imaginativas.
Lembrando que os plásticos constituem a terceira maior indústria do país (EUA), atrás apenas de automóveis e da indústria de aço. Cerca de um milhão de americanos trabalham diretamente em plásticos. Mas além da indústria e do setor comercial, o plástico vem sendo utilizado em outro setor, bastante promissor. É no setor da saúde, mais especificamente na área hospitalar que ele vem sendo utilizado como um salvador de vidas, porém podendo também nos envenenar. Vejamos a seguir essa utilidade específica.


3. O plástico dentro dos hospitais: salvador ou envenenador?

Aqui, há um paradoxo sobre o plástico na medicina: no ato de cura, ele também pode fazer mal. Pesquisas sugerem agora que os mesmos sacos e tubos que entregam remédios e alimento para as crianças mais vulneráveis ​​também entregam produtos químicos que podem danificar seus anos de saúde.
Especificamente sobre as questões hospitalares, Freinkel (2010: 81, 84 e 99) aduz que na UTIN - Centro Médico Nacional Infantil, em Washington - DC, até certo período, além do ninho de cobertores macios em que as crianças estavam deitadas, elas estavam totalmente cercadas por plástico, o que de certa forma assustou os médicos/pesquisadores do hospital.
As máquinas que são comumente usados ​​para bebês com problemas respiratórios graves ou aqueles que foram submetidos a cirurgia cardíaca, que são seus salva-vidas, oferecem também uma enorme quantidade de DEHP (Produto derivado do PVC), disse Naomi Luban, hematologista pediátrica do Centro Médico Nacional Infantil, que trabalha com recém nascidos e ficou muito preocupada com os riscos dos plastificantes.
Primeiro, houve a descoberta de que o gás cloreto de vinil - o produto químico chave usado para fazer PVC – utilizado em grande parte dos materiais hospitalares - era muito mais perigoso do que se supunha. Médicos da BF Goodrich, em Louisville, Kentucky, descobriram em 1964 que os trabalhadores que lidavam com esse material estavam desenvolvendo acrosteólise, uma condição sistêmica que causa lesões na pele, problemas circulatórios, e deformação dos ossos dos dedos.
No início dos anos 70, pesquisadores europeus encontraram evidências de que o cloreto de vinilo é cancerígeno.
Freinkel (2010:109 e 111) esclarece que a partir dessas evidências o hospital infantil onde realizou sua pesquisa começou a interrogar os vendedores sobre o conteúdo de seus produtos e perceberam que se eles cobrassem dos administradores do hospital a compra de sacos e de tubos e outros equipamentos feitos sem DEHP, estariam salvando vidas. Na época, as alternativas eram poucas e distantes entre si e significativamente mais caras. Mas o hospital não estava sozinho.
Durante esse mesmo período, uma coalizão de grupo ambientalista iniciou uma nova organização, a Health Care Without Harm, com o objetivo de conseguir hospitais para eliminar progressivamente o uso de vinil IV química DEHP. A unidade foi uma consequência de uma campanha mais ampla para obter hospitais que parassem de usar PVC em geral, porque a incineração de resíduos hospitalares contendo PVC tinha feito dos hospitais a principal fonte de emissões de dioxinas. Aos poucos outras empresas e hospitais foram usando outros tipos de plásticos - tal como o poliuretano, polímeros de polietileno, e silicone que se dizem mais seguros e não requerem a utilização de aditivos químicos.
Por outro lado, o plástico vem sendo aplicado há algumas décadas em substituição de certos órgãos/membros do corpo humano, o que demonstra ainda a sua benesse, no que se refere à tecnologia médica.
Donato (1977: 23) lembra que especialistas na década de 70/80 depositaram suas fichas no polietileno de alta densidade para substituir as articulações do quadril, joelhos, cotovelos, bem como, juntas mais complexas como o ombro e punho do corpo humano. E graças a esse material, muitas pessoas voltaram a se locomover.
Outro elemento humano capaz de ser substituído por plástico (ainda em pesquisa) é o coração. A inserção de válvulas de material sintético e pedaços de artérias plásticas já é algo que se faz desde a década de 70, em todo o mundo, mas a substituição do coração e de outros órgãos importantes do corpo humano ainda não se efetivou. Outros casos de substituição plástica são as comuns lentes de contato, e também os dentes de acrílico.
Apesar dessas benesses e das consequências negativas advindas do plástico, ele também é um grande gerador de lixo, ou melhor, resíduo. O lixo hospitalar, como é comumente conhecido, é tratado muitas vezes como um lixo especial e que detém tratamentos específicos, em razão do seu potencial infeccioso.


4. O lixo plástico hospitalar
Foi realizado um estudo em dois hospitais por Zanon (1990) sobre a quantidade e a variedade de produção de lixo, fixando em um período de 14 (catorze) dias para a pesquisa baseando-se na metodologia proposta pela United States Environmental Protection Agency - USEPA.
Os seus resultados foram que os valores médios finais indicam a predominância de papel (hospital A=36,8% e hospital B=43,8%) e plástico (hospital A=19,7% e hospital B=22,1%), nos resíduos utilizados para acondicionar os materiais que são utilizados nas cirurgias e que normalmente não entram em contato com sangue, hemoderivados, secreções orgânicas, etc.
 Excluindo-se, então, os componentes tecido (gaze, hospital A= 13,2% e hospital B=12,8%) e borracha (luvas cirúrgicas, hospital A=4,4% e hospital =13,4%), resíduos que necessariamente têm contato com sangue, hemoderivados e/ou secreções orgânicas, é possível afirmar que aproximadamente 80% (em peso) dos resíduos gerados nos hospitais podem ser considerados como resíduos comuns, sendo passíveis de reaproveitamento, desde que segregados adequadamente.
A partir dessa pesquisa percebe-se que o lixo hospitalar de origem plástica detém certa importância na quantidade (em média 20%) de produção de lixo de um modo geral. E Freinkel (2010:195) levanta algumas questões sobre a produção de lixo, a partir dos resíduos plásticos, e também sobre possíveis formas de reciclagem, com base no programa Ponto Verde, utilizado na Alemanha, que se tornou um modelo para o gerenciamento de resíduos de embalagens em todo o mundo. As empresas pagam taxas de licenciamento para uma cooperativa sem fins lucrativos para o direito de colocar um logotipo - o famoso Ponto Verde - na embalagem.
Esse logotipo informa aos consumidores que podem colocar esses pacotes nas lixeiras de reciclagem. As taxas de licenciamento ajudar a cobrir os custos da empresa com fins lucrativos que, em seguida, recolhe, separa, recicla e processa os resíduos de ponto verde. Mais de 75 % de todas as embalagens na Alemanha agora carrega um ponto verde, incluindo, é claro, garrafas PET.
O programa se expandiu por toda a Europa, dezenas de milhões de pacotes vendidos em lojas europeias agora ostentar o logótipo Ponto Verde, que, ao contrário do sistema de código de resina (aplicado nos EUA), é uma verdadeira garantia de que eles serão reciclados.
A Lei da Alemanha tornou-se o modelo para a aplicação de medida similar pelo Parlamento Europeu em 1994. Enquanto que a lei estabelecia metas de reciclagem, o Parlamento deixou a cada país determinar como eles iriam fazer quanto aos deles. Diferentes países têm escolhido caminhos diferentes - diferentes arranjos de iniciativas públicas e privadas - mas a história global é a mesma. Menos embalagens vão para aterros sanitários, mesmo enquanto o consumo continuou a crescer.


5. O plástico e a questão ambiental petroquímica

Freinkel expõe que (2010: 235) hoje, para o melhor e para o pior, estamos firmemente na idade dos plásticos e enfrentando intimações assustadoras de colapso ecológico.
Temos em mãos os materiais para ajudar a criação de um legado de sustentabilidade. E pergunta-se: Será que os arqueólogos daqui alguns milênios, a partir de agora, quando forem raspar o estrato do nosso tempo e encontrar simplesmente recheado com o imortal descartáveis ​​como tampas de garrafas, sacos, embalagens, canudos e isqueiros – serão as evidências de uma civilização que sufocou até a morte no lixo?
No Brasil, somente em 1954 com a implantação da Petrobrás, em Cubatão/SP, que o plástico adquire a sua importância, relembra Donato (1977: 63). Apesar disso, mundialmente falando, o plástico é líder em diversas áreas, das mais simples como um “copinho de água” às mais complexas, como a carcaça de um automóvel.
Inicialmente o plástico era vislumbrado como uma solução ambiental para o consumo desenfreado da madeira, do ferro e do vidro, dentre outros materiais, que primeiramente causavam grande degradação ambiental.

A borracha sintética substituiu o cautchu, as fibras de nylon competem com o algodão, a seda, a lã e o couro, a baquelite, a galalite, o polopás, o poliestireno, o prolipropileno e outros […] com a pedra, madeira e ferro, a melamina concorre com a louça e a cerâmica, o PVC, o poliéster e o policarbonato[2] substituem o vidro. (DONATO, 1977: 3)

Percebe-se claramente a substituição dos materiais plásticos pelos que eram utilizados no passado. Contudo, com o passar das décadas, foi-se perdendo o seu papel principal, de substituidor de matérias primas, para se tornar o vilão do lixo industrial. Os materiais plásticos, hoje, geram mais lixo do que qualquer outro produto criado industrialmente.
                    
A origem da palavra plástico, do grego plastikós, que significa adequado à moldagem, define a sua principal característica, que é a flexibilidade. Produzido principalmente a partir do petróleo, o plástico é um dos mais recentes materiais utilizados pelo homem, mas sua história teve início há milhões de anos. […] O plástico é também conhecido como termoplástico, pela sua facilidade de moldagem industrial ao sofrer aquecimento e solidificando-se após o resfriamento. (GRIPPI, 2001: 12)

A indústria transformadora de plástico integra atualmente a “cadeia petro-química-plástica, situando-se no grupo identificado como de 3ª geração” (CARIO, PEREIRA, SCHUNEMANN, 2002: 65).
As indústrias de primeira geração são chamadas de crackers (PROCESSO, 2012), pois realizam a quebra do principal insumo, composto basicamente de: eteno, propeno, benzeno e butadieno (chamados de olefinas). O processo de cracking, termo originado do inglês, realiza o rompimento, fratura, divisão de hidrocarbonetos, num processo de quebra de cadeias longas em mais curtas. Os produtos de segunda geração derivam dos termoplásticos produzidos na 1ª geração, e as indústrias de 3ª geração, também conhecidas como indústrias transformadoras, adquirem os produtos petroquímicos intermediários das indústrias de 1ª e 2ª geração e os transformam em produtos finais, que seriam, por exemplo, garrafas, copos, talheres plásticos, materiais cirúrgicos, canos e tubos hospitalares, dentre outros diversos materiais (KALB, 2013).
Esses produtos são produzidos a partir de três principais meios, que seriam a extrusão, a injeção e o sopro (Ibidem). Ainda que não se objetiva analisar detalhadamente ponto a ponto desses processos produtivos, vez que não é esse o escopo epistemológico da pesquisa, vale compreendê-los brevemente.
A extrusão implica na fabricação contínua de moldes, tubos, lâminas e filmes inflados, (Processo, web), na qual se usa um equipamento chamado de extrusora, que força a passagem de um material através de um orifício. Na indústria em geral, a extrusão de um material é usada para lhe dar forma e, assim conferir determinadas características, conforme explicação de Faria (2011).
O processo de injeção, por sua vez, é o movimento pelo qual a matéria prima fundida é introduzida num molde sob pressão e temperatura, com a utilização de um equipamento chamado de injetora. A injeção do plástico envolve um espaço de tempo relativamente muito curto e assim, o plástico é misturado com corantes num campo denominado canhão. Após a mistura, é feito uma pasta homogênea que tende mais ao estado líquido e com a ajuda da rosca plastificadora este plástico derretido e já colorido é empurrado sob pressão para dentro do molde, num ciclo determinado de produção.
O sopro, no entanto, é empregado para obtenção de peças ocas, como frascos e embalagens plásticas mediante injeção de ar comprimido em suas cavidades e o equipamento em questão é a sopradora.  O sopro consiste em, conforme Mendonça (2008, p.20), plastificar o composto plástico com o auxílio de um cilindro de plastificação equipado com resistências elétricas e de uma rosca.
A partir dos anos 2000 (Mendonça, 2008), os fabricantes de equipamentos como as sopradoras, as injetoras, as extrusoras, bem como, as prensas, têm verificado que não é mais possível não se preocuparem com o meio ambiente, e consequentemente com o consumo de energia oriunda de sistemas de transmissão de força hidráulicos, além de serem processos industriais barulhentos, sujos e pesados.
O que pode gerar também prejuízos à saúde dos profissionais que atuam diretamente com essas máquinas. A mudança e atualização dos sistemas hidráulicos dessas máquinas para motores estritamente elétricos não é muito simples, pois “substituir um atuador hidráulico que faz uma força de 5 toneladas por um moto-redutor, por exemplo, o conjunto terá que ser dotado de algum sistema de alavanca para que a força se multiplique, a fim de obtermos a mesma força do atuador” (Mendonça, 2008: 21) que é retirado. Apesar disso, podem-se enumerar os vários progressos tecnológicos de uma máquina elétrica, como: a alta precisão, a repetibilidade constante, uma operação mais silenciosa, uma produção mais limpa e principalmente, maior economia de energia elétrica em comparação com as máquinas hidráulicas. Vale ressaltar ainda que a quantidade de energia que essas máquinas hidráulicas usam, por meio de seus motores, quando substituídas por máquinas elétricas, há uma redução no gasto mensal das empresas, além de uma diminuição de manutenção dessas máquinas, o que torna esta substituição, uma solução sustentável.
Por sua maior durabilidade e leveza, o plástico nem sempre é um produto biodegradável, recebendo por esse motivo muitas críticas quanto ao seu destino final, quando não reciclado ou reutilizado, muitas vezes sendo levado a aterros ilegais. Por outro lado, a reciclagem vem sendo realizada pelas próprias indústrias para aproveitar suas perdas de produção (logística reversa), o que demonstra certa preocupação dos empresários não só na área ambiental, mas atrelada a isso, questões econômicas. Além de ser reaproveitado dentro do processo de produção das próprias empresas produtoras de plástico, também são transformados por meio da reciclagem por terceiros em corda e embalagens para bolos/doces.
Os plásticos, para Grippi (2001: 37), são artefatos fabricados a partir de resinas sintéticas, conhecidas como polímeros, derivados do petróleo. O grande desafio enfrentado atualmente com relação à disposição final dos plásticos encontra-se no fato de sua resistência à biodegradação, devido principalmente a sua natureza química. Uma das soluções que vem ganhando apoio de grande número de entidades envolvidas com a gestão ambiental refere-se ao reaproveitamento do plástico descartado no lixo urbano, o que acima já mencionamos. Afinal, a queima indiscriminada de plásticos pode trazer sérios problemas à saúde das pessoas e ao meio ambiente, pois alguns plásticos, (PVC - por exemplo) ao serem queimados geram gases tóxicos que ao ser queimado libera cloro, que pode formar ácido clorídrico, extremamente corrosivo e também dioxinas, substâncias altamente tóxicas e cancerígenas.
Até 2001, o Brasil ainda era um modesto consumidor de plástico, já os maiores consumidores per capita de plástico no mundo eram e continuam sendo os Estados Unidos e o Japão, países mais industrializados, conforme explica Grippi (2001:90).
Alguns bons exemplos, trazidos por Sissino (2000:108) de empresas que reciclam plástico de forma bem sucedida é a Tepet Reciclagem de Termoplásticos, instalada em Mauá/SP e na Paraíba, que em 2000, transformava 800 toneladas mensais de garrafas, em flocos, convertidas em mantas de edredom, carpetes de carros ou couro artificial para tênis, e a empresa Valente Moagem, em Guarulhos/SP, que moía mil toneladas mensais de polietileno, poliamida e nylon, recuperando o plástico para as petroquímicas, sendo reprocessado em outra fase da produção.


6. Conclusões

Percebe-se assim, que apesar do uso dos materiais plásticos terem diversas utilidades, tanto para salvar vidas, evitando a desgaste de certos recursos finitos, por outro lado, é um grande causador de problemas ambientais e sociais, por meio do seu uso descontrolado, gerador de ampla parcela dos resíduos sólidos no Brasil e no Mundo.
A prevenção seria a melhor forma de intervenção educacional, é o que conclui Ferreira et al (2013: 2) quando se trata de trabalhar a educação ambiental a partir das relações indivíduo-natureza e ambiente-desenvolvimento, não só na perspectiva da educação infanto-juvenil, mas principalmente para contribuir na construção de uma sociedade mais justa e ambientalmente sustentável no que se diz respeito aos recursos naturais.
Apesar do plástico ter sido descoberto há mais de 100 anos, continua em ampla expansão as suas formas de utilidade. Contudo, sendo um derivado de petróleo detém uma preocupação maior vinda dos empresários que o comercializa pela questão de ser um recurso também não-renovável. Por esse motivo, a reciclagem e a consequente reutilização desse produto é uma saída que vem sendo aplicada com grande sucesso. Obviamente que nem todos os produtos plásticos podem sofrer essa reutilização, como é o caso dos resíduos hospitalares plásticos, que muitas vezes apenas podem ser tratados e enviados aos aterros.


Referências Bibliográficas
BIJKER, Wiebe E. Of bicycles, bakelites, and bulbs: toward a theory of sociotechnical change. London: MIT Press, 1997.
CARIO, Silvio A. F., PEREIRA, Laercio Barbosa e SCHUNEMANN, Achiles Julio. Características da estrutura de mercado e do padrão de concorrência de setores industriais selecionados de Santa Catarina. Projeto de cooperação entre a coordenação do curso de pós-graduação em economia da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC e a Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2002.
DONATO, Mário. O mundo do plástico: o plástico na história, o plástico no mundo, o plástico no Brasil. São Paulo: Goyana, 1977. 76 p.
FARIA, Caroline. Engenharia: extrusão. Disponível em: <http://www.infoescola.com/engenharia/extrusao/> Acesso em: set 2012. mar 2011.
FERREIRA, Juliana Mazzeti; POLETTO, Rodrigo de Souza.  A destinação do lixo e a importância da educação ambiental no ensino fundamental. Rev. Diálogo e interação. v. 7. Disponível em: <www.faccrei.edu.br/dialogoeinteracao/> Acesso: 10 set 2013, 2013.
FREINKEL, Susan. Plastic: a toxic love story. EUA-Minnesota: Graywolf Press, 2010. 324 p.
GRIPPI, Sidney. Lixo, reciclagem e sua história: guia para as prefeituras brasileiras. Rio de Janeiro: Interciência, 2001. 134 p.
KALB, Christiane H. Patrimônio industrial: as memórias de ferramenteiros em Joinville. Orientadora Dra Mariluci N Carelli. Joinville: Univille, 2013. 186 f.
MENDONÇA, Diego de Souza. Desenvolvimento e fabricação de uma sopradora para termoplásticos. Juiz de Fora / MG. 46 f. (Curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Juiz de Fora), 2008
PROCESSO de Cracking: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Craqueamento> Acesso em ago 2012.
SISINNO, Cristina Lucia Silveira (org). Resíduos sólidos, ambiente e saúde: uma visão multidisciplinar. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2000. 142p.
ZANON, Uriel. Riscos infecciosos imputados ao lixo hospitalar: realidade epidemiológica ou ficção sanitária? Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. n. 23 (3) p. 163-170 jul-set 1990.






[1] que se inclui dentro da pesquisa construtivista, distingui três linhas de trabalho: a abordagem de sistemas, a abordagem ator-rede, e a abordagem da construção social da tecnologia (SCOT). Este livro foi desenvolvido na principalmente dos estudos da SCOT, mas acredita que os argumentos são de relevância geral para todo o espectro de estudos construtivistas modernas
[2]  É inquebrável e transparente, 250 vezes mais forte que o vidro temperado e 30 vezes mais que o acrílico. (Donato, 1977:13)
 

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