Esse artigo foi criado no início de 2013, quando eu ainda estava estudando o "lixo" hospitalar, principalmente enfocando nos resíduos plásticos. Durante esse estudo comprei dois livros norte-americanos, sem tradução para o português ainda, chamados: FREINKEL, Susan. Plastic: a toxic love story.
EUA-Minnesota: Graywolf Press, 2010. 324 p.; e BIJKER, Wiebe E. Of bicycles, bakelites, and bulbs:
toward a theory of sociotechnical change. London:
MIT Press, 1997, que foram muito esclarecedores. Claro que apesar do livro de Bijker tratar de diversas formas plásticas, eu me detive na parte que falava especificamente da "bakelite", origem do plástico no início do século XX.
Resumo
O
presente artigo tem o condão de discutir a importância do material plástico,
sob uma perspectiva dialética. Dialética, pois a partir de certo método
de diálogo entre as temáticas percebe-se a contraposição e contradição das
ideias que leva a outras ideias. O plástico tem sido considerado importante na
seara social e econômica, porém também é um grande gerador de resíduos sólidos,
portanto, poluidor ambienta. Por outro lado, salva vidas por substituir partes
de nosso corpo, ao mesmo tempo que pode nos envenenar. A partir dessa
discussão, conclui-se pela sua ampla aplicação nos mais diversos setores
empresariais e residenciais, sendo praticamente impossível convivermos sem o
seu contato diário.
Palavras
Chaves: Plástico. Meio Ambiente. Lixo Hospitalar. Recursos naturais.
Os seres humanos podem desaparecer
da face da terra amanhã, mas muitos do
plástico que fizemos vai durar séculos.
(Freinkel, 2010, p. 9)
1. Introdução
O plástico é utilizado
cada dia mais em todos os setores empresariais, como os de utilidades
domésticas, brinquedos, construção civil, aviação, saúde, farmácia,
eletroeletrônicos e calçados, e a sua variedade em relação à quantidade de
peças e possibilidades de matérias primas o torna quase insuperável.
Foi Leo Hendrik
Baekeland, químico e físico belga laureado em 4 universidades belgas, que
chegou nos EUA no começo do século XX, e criou um papel fotográfico chamado Velox, sensível à luz artificial, que
vendeu para Kodak, conforme Donato (1977: 40) e esse mesmo inventor que criou a
baquelite, primeiro plástico real e
sintético (BIJKER, 1997:1) que veio substituir materiais naturais e
seminaturais, como marfim e celluloid
e desenvolveu muitas das aplicações que levaram a sociedade a era dos
plásticos.
Bijker (1997:6) autor da
obra Of bicycles, bakelites and bulbs[1] discute,
a partir do Capítulo 3, especificamente sobre a criação da baquelite, aspectos
relevantes sobre a forma de construção social da tecnologia do plástico. E
permeia nesse sentido, dizendo que (Ibidem:101)
a invenção do primeiro plástico verdadeiramente sintético por Leo Henrick
Arthur Baekeland em 1907, durou cerca de quarenta anos, num período durante o
qual numerosos químicos falhou.
Mesmo no caso de um
"inventor individual," como é o caso de Baekeland uma análise
construtivista social, produz resultados frutíferos. Como podemos compreender a
construção social da baquelite, apesar das óbvias conquistas individuais de seu
inventor, o que se questiona Bijker (1997:110). Afinal a história de uso humano
de materiais plásticos é tão longa como a história da humanidade. Os egípcios
usavam a resina, um plástico de origem vegetal, para envernizar seus
sarcófagos, e os gregos fizeram joias de âmbar, uma resina fóssil amarelada.
Quando o inventor
Baekeland finalmente estava próximo do ideal plástico, escreveu em seu diário
de trabalho:
Considero
estes dias de trabalho muito bem sucedido, que me colocou no caminho de vários
produtos novos e interessantes que podem ter uma ampla aplicação como plásticos
e vernizes. Tenho um pedido de patente para uma substância que chamarei
bakelite. […] Bakelite como material de moldagem: você vai compreender
facilmente que faz uma substância muito superior ao âmbar para hastes de tubos
e artigos semelhantes. Ela não é tão flexível como a celulóide, mas é mais
durável, ao calor, não tem cheiro, não pega fogo e ao mesmo tempo é menos caro
(Baekeland, 1909a:157 apud Bijker,
1997:146 e 162).
Freinkel (2010) diz que é
praticamente impossível hoje vivermos sem o plástico em nosso cotidiano, ou
seja, somente com “materiais não plásticos - madeira, lã, algodão, vidro,
pedra, metal, alimentos. [...] Eu aprecio o plástico por fazer minha vida mais
fácil e mais conveniente, mas eu não sabia que não poderia facilmente viver sem
ele”. Em sua obra Plastic: a true love
story faz um discussão interessante sobre diversas questões relacionadas ao
plástico, o que merece um estudo mais aprofundado.
2. O plástico e a sua história
Freinkel (2010:5) explica algumas
questões sobre a estrutura e as propriedades, bem como, a história do plástico.
Portanto o plástico “é um polímero: [por] sua resistência, durabilidade,
clareza, flexibilidade, elasticidade. [...] É comum dizer que vivemos na era
dos plásticos”.
A maior parte dos autores (Ibidem:6-7) fixa a data de 1907, como
sendo o ano do descobrimento do plástico, quando o imigrante belga Leo
Baekeland na verdade inventou a baquelite, primeiro polímero totalmente
sintético, feito inteiramente de moléculas que não poderiam ser encontrados na
natureza.
Os plásticos são uma pequena parte da
indústria do petróleo, o que representa uma pequena fração dos combustíveis
fósseis que consumimos. Em 1960, o americano médio consumia cerca de trinta
quilos de produtos plásticos. Hoje, nós consumimos mais de trezentos quilos de
plásticos por ano, gerando mais de três centenas de bilhões de dólares em
vendas.
A criação de baquelite, para Freinkel
(2010:23 e 53) marcou uma mudança no desenvolvimento de novos plásticos. Daí em
diante, os cientistas deixaram de procurar materiais que poderiam imitar a
natureza, em vez disso, eles procuraram reorganizar a natureza em maneiras
novas e imaginativas.
Lembrando que os plásticos constituem
a terceira maior indústria do país (EUA), atrás apenas de automóveis e da
indústria de aço. Cerca de um milhão de americanos trabalham diretamente em
plásticos. Mas além da indústria e do setor comercial, o plástico vem sendo utilizado
em outro setor, bastante promissor. É no setor da saúde, mais especificamente
na área hospitalar que ele vem sendo utilizado como um salvador de vidas, porém
podendo também nos envenenar. Vejamos a seguir essa utilidade específica.
3. O plástico dentro dos hospitais: salvador ou envenenador?
Aqui, há um paradoxo sobre o plástico
na medicina: no ato de cura, ele também pode fazer mal. Pesquisas sugerem agora
que os mesmos sacos e tubos que entregam remédios e alimento para as crianças
mais vulneráveis também entregam produtos químicos que podem danificar seus
anos de saúde.
Especificamente sobre as questões
hospitalares, Freinkel (2010: 81, 84 e 99) aduz que na UTIN - Centro Médico Nacional
Infantil, em Washington - DC, até certo período, além do ninho de cobertores
macios em que as crianças estavam deitadas, elas estavam totalmente cercadas
por plástico, o que de certa forma assustou os médicos/pesquisadores do hospital.
As máquinas que são comumente usados
para bebês com problemas respiratórios graves ou aqueles que foram submetidos
a cirurgia cardíaca, que são seus salva-vidas, oferecem também uma enorme
quantidade de DEHP (Produto derivado do PVC), disse Naomi Luban, hematologista
pediátrica do Centro Médico Nacional Infantil, que trabalha com recém nascidos
e ficou muito preocupada com os riscos dos plastificantes.
Primeiro, houve a descoberta de que o
gás cloreto de vinil - o produto químico chave usado para fazer PVC – utilizado
em grande parte dos materiais hospitalares - era muito mais perigoso do que se
supunha. Médicos da BF Goodrich, em Louisville, Kentucky, descobriram em 1964
que os trabalhadores que lidavam com esse material estavam desenvolvendo
acrosteólise, uma condição sistêmica que causa lesões na pele, problemas
circulatórios, e deformação dos ossos dos dedos.
No início dos anos 70, pesquisadores
europeus encontraram evidências de que o cloreto de vinilo é cancerígeno.
Freinkel (2010:109 e 111) esclarece
que a partir dessas evidências o hospital infantil onde realizou sua pesquisa começou
a interrogar os vendedores sobre o conteúdo de seus produtos e perceberam que
se eles cobrassem dos administradores do hospital a compra de sacos e de tubos
e outros equipamentos feitos sem DEHP, estariam salvando vidas. Na época, as
alternativas eram poucas e distantes entre si e significativamente mais caras.
Mas o hospital não estava sozinho.
Durante esse mesmo período, uma
coalizão de grupo ambientalista iniciou uma nova organização, a Health Care Without Harm, com o objetivo
de conseguir hospitais para eliminar progressivamente o uso de vinil IV química
DEHP. A unidade foi uma consequência de uma campanha mais ampla para obter
hospitais que parassem de usar PVC em geral, porque a incineração de resíduos
hospitalares contendo PVC tinha feito dos hospitais a principal fonte de
emissões de dioxinas. Aos poucos outras empresas e hospitais foram usando
outros tipos de plásticos - tal como o poliuretano, polímeros de polietileno, e
silicone que se dizem mais seguros e não requerem a utilização de aditivos
químicos.
Por outro lado, o plástico vem sendo
aplicado há algumas décadas em substituição de certos órgãos/membros do corpo
humano, o que demonstra ainda a sua benesse, no que se refere à tecnologia médica.
Donato (1977: 23) lembra que especialistas
na década de 70/80 depositaram suas fichas no polietileno de alta densidade
para substituir as articulações do quadril, joelhos, cotovelos, bem como,
juntas mais complexas como o ombro e punho do corpo humano. E graças a esse material,
muitas pessoas voltaram a se locomover.
Outro elemento humano capaz de ser
substituído por plástico (ainda em pesquisa) é o coração. A inserção de
válvulas de material sintético e pedaços de artérias plásticas já é algo que se
faz desde a década de 70, em todo o mundo, mas a substituição do coração e de
outros órgãos importantes do corpo humano ainda não se efetivou. Outros casos
de substituição plástica são as comuns lentes de contato, e também os dentes de
acrílico.
Apesar dessas benesses e das
consequências negativas advindas do plástico, ele também é um grande gerador de
lixo, ou melhor, resíduo. O lixo hospitalar, como é comumente conhecido, é
tratado muitas vezes como um lixo especial e que detém tratamentos específicos,
em razão do seu potencial infeccioso.
4. O lixo plástico hospitalar
Foi realizado
um estudo em dois hospitais
por Zanon (1990) sobre a quantidade e a variedade de produção de lixo, fixando
em um período de 14 (catorze) dias para a pesquisa baseando-se na metodologia
proposta pela United States Environmental
Protection Agency - USEPA.
Os seus resultados
foram que os valores médios finais indicam a predominância de papel (hospital
A=36,8% e hospital B=43,8%) e plástico
(hospital A=19,7% e hospital B=22,1%), nos resíduos utilizados para
acondicionar os materiais que são utilizados nas cirurgias e que normalmente
não entram em contato com sangue, hemoderivados, secreções orgânicas, etc.
Excluindo-se, então, os componentes tecido
(gaze, hospital A= 13,2% e hospital B=12,8%) e borracha (luvas cirúrgicas,
hospital A=4,4% e hospital =13,4%), resíduos que necessariamente têm contato
com sangue, hemoderivados e/ou secreções orgânicas, é possível afirmar que
aproximadamente 80% (em peso) dos resíduos gerados nos hospitais podem ser
considerados como resíduos comuns, sendo passíveis de reaproveitamento, desde
que segregados adequadamente.
A partir dessa pesquisa percebe-se
que o lixo hospitalar de origem plástica detém certa importância na quantidade
(em média 20%) de produção de lixo de um modo geral. E Freinkel (2010:195)
levanta algumas questões sobre a produção de lixo, a partir dos resíduos
plásticos, e também sobre possíveis formas de reciclagem, com base no programa Ponto
Verde, utilizado na Alemanha, que se tornou um modelo para o gerenciamento de
resíduos de embalagens em todo o mundo. As empresas pagam taxas de
licenciamento para uma cooperativa sem fins lucrativos para o direito de
colocar um logotipo - o famoso Ponto Verde - na embalagem.
Esse logotipo informa aos
consumidores que podem colocar esses pacotes nas lixeiras de reciclagem. As
taxas de licenciamento ajudar a cobrir os custos da empresa com fins lucrativos
que, em seguida, recolhe, separa, recicla e processa os resíduos de ponto
verde. Mais de 75 % de todas as embalagens na Alemanha agora carrega um ponto
verde, incluindo, é claro, garrafas PET.
O programa se expandiu por toda a
Europa, dezenas de milhões de pacotes vendidos em lojas europeias agora
ostentar o logótipo Ponto Verde, que, ao contrário do sistema de código de
resina (aplicado nos EUA), é uma verdadeira garantia de que eles serão
reciclados.
A Lei da Alemanha tornou-se o modelo
para a aplicação de medida similar pelo Parlamento Europeu em 1994. Enquanto
que a lei estabelecia metas de reciclagem, o Parlamento deixou a cada país
determinar como eles iriam fazer quanto aos deles. Diferentes países têm
escolhido caminhos diferentes - diferentes arranjos de iniciativas públicas e
privadas - mas a história global é a mesma. Menos embalagens vão para aterros
sanitários, mesmo enquanto o consumo continuou a crescer.
5. O plástico e a questão ambiental petroquímica
Freinkel expõe que (2010: 235) hoje,
para o melhor e para o pior, estamos firmemente na idade dos plásticos e
enfrentando intimações assustadoras de colapso ecológico.
Temos em mãos os materiais para
ajudar a criação de um legado de sustentabilidade. E pergunta-se: Será que os
arqueólogos daqui alguns milênios, a partir de agora, quando forem raspar o
estrato do nosso tempo e encontrar simplesmente recheado com o imortal
descartáveis como tampas de garrafas, sacos, embalagens, canudos e isqueiros –
serão as evidências de uma civilização que sufocou até a morte no lixo?
No Brasil, somente em 1954 com a
implantação da Petrobrás, em Cubatão/SP, que o plástico adquire a sua importância,
relembra Donato (1977: 63). Apesar disso, mundialmente falando, o plástico é
líder em diversas áreas, das mais simples como um “copinho de água” às mais
complexas, como a carcaça de um automóvel.
Inicialmente o plástico era
vislumbrado como uma solução ambiental para o consumo desenfreado da madeira,
do ferro e do vidro, dentre outros materiais, que primeiramente causavam grande
degradação ambiental.
A borracha sintética
substituiu o cautchu, as fibras de nylon competem com o algodão, a seda, a lã e
o couro, a baquelite, a galalite, o polopás, o poliestireno, o prolipropileno e
outros […] com a pedra, madeira e ferro, a melamina concorre com a louça e a
cerâmica, o PVC, o poliéster e o policarbonato[2]
substituem o vidro. (DONATO, 1977: 3)
Percebe-se claramente a substituição
dos materiais plásticos pelos que eram utilizados no passado. Contudo, com o passar
das décadas, foi-se perdendo o seu papel principal, de substituidor de matérias
primas, para se tornar o vilão do lixo industrial. Os materiais plásticos,
hoje, geram mais lixo do que qualquer outro produto criado industrialmente.
A origem da
palavra plástico, do grego plastikós,
que significa adequado à moldagem, define a sua principal característica, que é
a flexibilidade. Produzido principalmente a partir do petróleo, o plástico é um
dos mais recentes materiais utilizados pelo homem, mas sua história teve início
há milhões de anos. […] O plástico é também conhecido como termoplástico, pela
sua facilidade de moldagem industrial ao sofrer aquecimento e solidificando-se
após o resfriamento. (GRIPPI, 2001: 12)
A indústria
transformadora de plástico integra atualmente a “cadeia petro-química-plástica,
situando-se no grupo identificado como de 3ª geração” (CARIO, PEREIRA,
SCHUNEMANN, 2002: 65).
As indústrias de primeira
geração são chamadas de crackers (PROCESSO,
2012), pois realizam a quebra do principal insumo, composto basicamente de:
eteno, propeno, benzeno e butadieno (chamados de olefinas). O processo de cracking, termo originado do inglês,
realiza o rompimento, fratura, divisão de hidrocarbonetos, num processo de
quebra de cadeias longas em mais curtas. Os produtos de segunda geração derivam
dos termoplásticos produzidos na 1ª geração, e as indústrias de 3ª geração,
também conhecidas como indústrias transformadoras, adquirem os produtos
petroquímicos intermediários das indústrias de 1ª e 2ª geração e os transformam
em produtos finais, que seriam, por exemplo, garrafas, copos, talheres
plásticos, materiais cirúrgicos, canos e tubos hospitalares, dentre outros
diversos materiais (KALB, 2013).
Esses produtos são
produzidos a partir de três principais meios, que seriam a extrusão, a injeção
e o sopro (Ibidem). Ainda que não se
objetiva analisar detalhadamente ponto a ponto desses processos produtivos, vez
que não é esse o escopo epistemológico da pesquisa, vale compreendê-los
brevemente.
A extrusão implica na fabricação contínua de
moldes, tubos, lâminas e filmes inflados, (Processo, web), na qual se usa um equipamento chamado de extrusora, que força
a passagem de um material através de um orifício. Na indústria em geral, a
extrusão de um material é usada para lhe dar forma e, assim conferir
determinadas características, conforme explicação de Faria (2011).
O processo de injeção, por sua vez, é o
movimento pelo qual a matéria prima fundida é introduzida num molde sob pressão
e temperatura, com a utilização de um equipamento chamado de injetora. A
injeção do plástico envolve um espaço de tempo relativamente muito curto e assim,
o plástico é misturado com corantes num campo denominado canhão. Após a
mistura, é feito uma pasta homogênea que tende mais ao estado líquido e com a
ajuda da rosca plastificadora este plástico derretido e já colorido é empurrado
sob pressão para dentro do molde, num ciclo determinado de produção.
O sopro, no entanto, é empregado para obtenção
de peças ocas, como frascos e embalagens plásticas mediante injeção de ar
comprimido em suas cavidades e o equipamento em questão é a sopradora. O sopro consiste em, conforme Mendonça (2008,
p.20), plastificar o composto plástico com o auxílio de um cilindro de
plastificação equipado com resistências elétricas e de uma rosca.
A partir dos anos 2000 (Mendonça, 2008), os fabricantes de equipamentos
como as sopradoras, as injetoras, as extrusoras, bem como, as prensas, têm
verificado que não é mais possível não se preocuparem com o meio ambiente, e
consequentemente com o consumo de energia oriunda de sistemas de transmissão de
força hidráulicos, além de serem processos industriais barulhentos, sujos e
pesados.
O que pode gerar também prejuízos à saúde dos profissionais que atuam
diretamente com essas máquinas. A mudança e atualização dos sistemas
hidráulicos dessas máquinas para motores estritamente elétricos não é muito
simples, pois “substituir um atuador hidráulico que faz uma força de 5
toneladas por um moto-redutor, por exemplo, o conjunto terá que ser dotado de
algum sistema de alavanca para que a força se multiplique, a fim de obtermos a
mesma força do atuador” (Mendonça, 2008: 21) que é retirado. Apesar disso,
podem-se enumerar os vários progressos tecnológicos de uma máquina elétrica,
como: a alta precisão, a repetibilidade constante, uma operação mais
silenciosa, uma produção mais limpa e principalmente, maior economia de energia
elétrica em comparação com as máquinas hidráulicas. Vale ressaltar ainda que a
quantidade de energia que essas máquinas hidráulicas usam, por meio de seus
motores, quando substituídas por máquinas elétricas, há uma redução no gasto
mensal das empresas, além de uma diminuição de manutenção dessas máquinas, o
que torna esta substituição, uma solução sustentável.
Por
sua maior durabilidade e leveza, o plástico nem sempre é um produto biodegradável,
recebendo por esse motivo muitas críticas quanto ao seu destino final, quando
não reciclado ou reutilizado, muitas vezes sendo levado a aterros ilegais. Por
outro lado, a reciclagem vem sendo realizada pelas próprias indústrias para
aproveitar suas perdas de produção (logística reversa), o que demonstra certa
preocupação dos empresários não só na área ambiental, mas atrelada a isso,
questões econômicas. Além de ser reaproveitado dentro do processo de produção
das próprias empresas produtoras de plástico, também são transformados por meio
da reciclagem por terceiros em corda e embalagens para bolos/doces.
Os
plásticos, para Grippi (2001: 37), são artefatos fabricados a partir de resinas
sintéticas, conhecidas como polímeros, derivados do petróleo. O grande desafio
enfrentado atualmente com relação à disposição final dos plásticos encontra-se
no fato de sua resistência à biodegradação, devido principalmente a sua
natureza química. Uma das soluções que vem ganhando apoio de grande número de
entidades envolvidas com a gestão ambiental refere-se ao reaproveitamento do
plástico descartado no lixo urbano, o que acima já mencionamos. Afinal, a
queima indiscriminada de plásticos pode trazer sérios problemas à saúde das
pessoas e ao meio ambiente, pois alguns plásticos, (PVC - por exemplo) ao serem
queimados geram gases tóxicos que ao ser queimado libera cloro, que pode formar
ácido clorídrico, extremamente corrosivo e também dioxinas, substâncias
altamente tóxicas e cancerígenas.
Até
2001, o Brasil ainda era um modesto consumidor de plástico, já os maiores
consumidores per capita de plástico
no mundo eram e continuam sendo os Estados Unidos e o Japão, países mais
industrializados, conforme explica Grippi (2001:90).
Alguns
bons exemplos, trazidos por Sissino (2000:108) de empresas que reciclam
plástico de forma bem sucedida é a Tepet Reciclagem de Termoplásticos,
instalada em Mauá/SP e na Paraíba, que em 2000, transformava 800 toneladas
mensais de garrafas, em flocos, convertidas em mantas de edredom, carpetes de
carros ou couro artificial para tênis, e a empresa Valente Moagem, em
Guarulhos/SP, que moía mil toneladas mensais de polietileno, poliamida e nylon,
recuperando o plástico para as petroquímicas, sendo reprocessado em outra fase
da produção.
6. Conclusões
Percebe-se
assim, que apesar do uso dos materiais plásticos terem diversas utilidades,
tanto para salvar vidas, evitando a desgaste de certos recursos finitos, por
outro lado, é um grande causador de problemas ambientais e sociais, por meio do
seu uso descontrolado, gerador de ampla parcela dos resíduos sólidos no Brasil
e no Mundo.
A
prevenção seria a melhor forma de intervenção educacional, é o que conclui
Ferreira et al (2013: 2) quando se trata de trabalhar a educação ambiental a
partir das relações indivíduo-natureza e ambiente-desenvolvimento, não só na
perspectiva da educação infanto-juvenil, mas principalmente para contribuir na
construção de uma sociedade mais justa e ambientalmente sustentável no que se
diz respeito aos recursos naturais.
Apesar
do plástico ter sido descoberto há mais de 100 anos, continua em ampla expansão
as suas formas de utilidade. Contudo, sendo um derivado de petróleo detém uma
preocupação maior vinda dos empresários que o comercializa pela questão de ser
um recurso também não-renovável. Por esse motivo, a reciclagem e a consequente
reutilização desse produto é uma saída que vem sendo aplicada com grande
sucesso. Obviamente que nem todos os produtos plásticos podem sofrer essa
reutilização, como é o caso dos resíduos hospitalares plásticos, que muitas
vezes apenas podem ser tratados e enviados aos aterros.
Referências
Bibliográficas
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setores industriais selecionados de Santa Catarina. Projeto de cooperação
entre a coordenação do curso de pós-graduação em economia da Universidade
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UNIVILLE. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2002.
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plástico: o plástico na história, o plástico no mundo, o plástico no
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FARIA, Caroline. Engenharia:
extrusão. Disponível em: <http://www.infoescola.com/engenharia/extrusao/>
Acesso em: set 2012. mar 2011.
FERREIRA, Juliana Mazzeti; POLETTO, Rodrigo de
Souza. A destinação do lixo e a importância da educação ambiental no ensino
fundamental. Rev. Diálogo e interação. v. 7. Disponível em:
<www.faccrei.edu.br/dialogoeinteracao/> Acesso: 10 set 2013, 2013.
FREINKEL, Susan. Plastic: a toxic love story.
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GRIPPI, Sidney. Lixo,
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Janeiro: Interciência, 2001. 134 p.
KALB, Christiane H. Patrimônio industrial: as memórias de ferramenteiros em Joinville.
Orientadora Dra Mariluci N Carelli. Joinville: Univille, 2013. 186 f.
MENDONÇA, Diego de Souza. Desenvolvimento e fabricação de uma sopradora para termoplásticos.
Juiz de Fora / MG. 46 f. (Curso de Engenharia de Produção da Universidade
Federal de Juiz de Fora), 2008
PROCESSO de Cracking:
Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Craqueamento> Acesso em ago
2012.
SISINNO, Cristina Lucia Silveira (org). Resíduos sólidos, ambiente e saúde: uma
visão multidisciplinar. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2000. 142p.
ZANON, Uriel. Riscos infecciosos imputados ao lixo
hospitalar: realidade epidemiológica ou ficção sanitária? Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. n. 23 (3) p.
163-170 jul-set 1990.
[1] que
se inclui dentro da pesquisa construtivista, distingui três linhas de trabalho:
a abordagem de sistemas, a abordagem ator-rede, e a abordagem da construção
social da tecnologia (SCOT). Este livro foi desenvolvido na principalmente dos
estudos da SCOT, mas acredita que os argumentos são de relevância geral para
todo o espectro de estudos construtivistas modernas
[2] É inquebrável e transparente, 250 vezes mais forte que
o vidro temperado e 30 vezes mais que o acrílico. (Donato,
1977:13)

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